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domingo, 26 de maio de 2013

SÁBADO CULTURAL POR TERRAS DE CAMILO

Com organização do Eco-Escolas, do grupo de História e Geografia de Portugal e do Centro de Formação das Terras de Santa Maria, um grupo de professores e alunos da Escola Básica de Arrifana teve oportunidade de passar um magnífico sábado em terras de Camilo Castelo Branco e Amadeo de Sousa-Cardoso.
De manhã, uma caminhada pelo "Trilho da Cangosta do Estevão": caminho público entre a natureza e o rio Pele, de Landim a S. Miguel de Seide. O grupo foi acompanhado por um elemento dos serviços educativos que fez reviver a obra de Camilo Castelo Branco. Exatamente nos espaços onde decorreram as estórias tão bem urdidas por Camilo, foi feita uma leitura de passagens dos seus livros, por elementos do grupo, como se as personagens saíssem deles para se encontrarem com os leitores.
Na sua casa, em S. Miguel de Seide, o grupo pôde viajar ao século XIX e sentir a vida deste grande escritor observando os objetos que lhe pertenceram: os quadros nas paredes, a louça onde comeu, a secretária onde escreveu, a caixa de charutos que fumava, as cadeiras e poltronas onde se sentou, a cama onde dormiu, os chapéus e bengalas que usou e... a cadeira de baloiço onde se suicidou.

O guia fala da exposição "As mulheres de Camilo"


 Leituras de passagens das obras de Camilo Castelo Branco


 Interior do museu Casa de Camilo
Exterior da casa: a acácia do Jorge plantada pelo filho louco

terça-feira, 23 de outubro de 2012

AMOR DE PERDIÇÃO




















O romance de Camilo Castelo Branco, Amor de perdição, foi publicado em 1862, pelo que está a completar 150 anos. No entanto, o tempo não lhe retirou importância, não o desatualizou, nem o fez cair no esquecimento. São muitas as iniciativas que o país está a desenvolver no sentido de reavivar esta obra do Romantismo português, de a dar a conhecer aos jovens para que possam sentir, através da leitura, um amor profundo mas proibido, o amor que Teresa e Simão sentem um pelo outro.

Foi realizado um filme sobre esta obra, em 1979, pelo realizador Manoel de Oliveira.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

CARTAS DE AMOR - 2ª CARTA

Hoje, a carta é de Simão para Teresa, as personagens principais do arrebatador romance de Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição.



Ao anoitecer, Simão, como estivesse sozinho escreveu uma longa carta, da qual extractamos os seguintes períodos:

«Considero-te perdida, Teresa. O sol de amanhã pode ser que eu o não veja. Tudo, em volta de mim, tem uma cor de morre. Parece que o frio da minha sepultura me está passando o sangue e os ossos.

Não posso ser o que tu querias que eu fosse. A minha paixão não se conforma com a desgraça. Eras a minha vida: tinha a certeza de que as contrariedades me não privavam de ti. Só o receio de perder-te me mata. O que me resta do passado é a coragem de ir buscar uma morte digna de mim e de ti. Se tens força para uma agonia lenta, eu não posso com ela.

Poderia viver com a paixão infeliz; mas este rancor sem vingança é um inferno. Não hei-de dar barata a vida, não. Ficarás sem mim, Teresa; mas não haverá aí um infame que te persiga depois da minha morte. Tenho ciúmes de todas as tuas horas. Hás-de pensar com muita saudade no teu esposo do Céu, e nunca tirarás de mim os olhos da tua alma para veres ao pé de ti o miserável que nos matou a realidade de tantas esperanças formosas.

Tu verás esta carta quando eu estiver num outro mundo, esperando as orações das tuas lágrimas. As orações! Admiro-me desta faísca de fé que me alumia nas minhas trevas!... Tu deras-me com o amor a religião, Teresa. Ainda creio; não se apaga a luz que é tua; mas a providência divina desamparou-me.

Lembra-te de mim. Vive, para explicares ao mundo, com a rua lealdade a uma sombra, a razão por que me atraíste a um abismo. Escutarás com glória a voz do mundo, dizendo que eras digna de mim.

À hora em que leres esta carta...»

página 96, colecção "Os Grandes Clássicos da Literatura Portuguesa", dirigida por Vasco Graça Moura, Planeta DeAgostini

Este livro pode ser lido na Biblioteca Virtual da Porto Editora. Foi adaptado ao cinema por Manoel de Oliveira e é, também, uma ópera em três actos de João Arroyo.

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