Lê , são estes os nomes das coisas que deixaste – eu, livros, o teu perfume espalhado pelo quarto; sonhos pela metade e dor em dobro, beijos por todo o corpo como cortes profundos que nunca vão sarar; e livros, saudade, a chave de uma casa que nunca foi a nossa, um roupão de flanela azul que tenho vestido enquanto faço esta lista:
livros, risos que não consigo arrumar, e raiva – um vaso de orquídeas que amavas tanto sem eu saber porquê e que talvez por isso não voltei a regar; e livros, a cama desfeita por tantos dias,
uma carta sobre a tua almofada e tanto desgosto, tanta solidão; e numa gaveta dois bilhetes para um filme de amor que não viste comigo, e mais livros, e também uma camisa desbotada com que durmo de noite para estar mais perto de ti; e, por
todo o lado, livros, tantos livros, tantas palavras que nunca me disseste antes da carta que escreveste nessa manhã, e eu,
eu que ainda acredito que vais voltar, que voltas, mesmo que seja só pelos teus livros.
Maria do Rosário Pedreira, Poesia reunida, Quetzal
Foi há 120 anos, em São Tomé, na Roça da Saudade, que nasceu José de Almada Negreiros, filho de um tenente de cavalaria de Aljustrel e uma mestiça com fortuna.
Ver aqui, um vídeo da sua participação no programa Zip Zip, em 1969, e aqui o vídeo onde ele fala de Fernando Pessoa, seu amigo.
A Revista, do jornal Expresso de 6 de abril de 2013, (fonte da imagem) traz um longo artigo sobre o multifacetado artista e o seu espólio que foi revisto, inventariado e analisado: "Descobriram-se cartas, obras perdidas, originais e desenhos inéditos, textos e cenários de uma peça de teatro."
Hoje, os alunos do ensino articulado de música deliciaram a assistência com um magnífico concerto onde se aliou a música e a poesia.
Orquestra, coro (canção do mar) e declamação de poemas sobre o mar (Sophia de Mello Breyner Andresen, Luísa Ducla Soares, João Pedro Mésseder e Manuel Bandeira) levaram cultura à escola, num momento de grande delicadeza.
Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d'oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...
Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?
Tens cantos d'epopeias? Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?!
Donde vem essa voz, ó mar amigo?...
...
Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!
Florbela Espanca
Poesia Completa
Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2000
Com o apoio do PNL, abriu a 13ª edição do Concurso de Textos de Amor Manuel António Pina, iniciativa do Museu Nacional da Imprensa enquadrada na comemoração do Dia dos Namorados e destinada aos apaixonados de todas as idades
O concurso destina-se a todos os jovens dos ensinos básico e secundário das redes pública e privada, assim como a adultos que pretendam participar com textos de amor originais, em prosa ou verso.
Os textos concorrentes deverão ser registados num impresso próprio, disponível no sítio oficial do MNI (www.museudaimprensa.pt), entre 11 e 17 de fevereiro de 2013.