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sábado, 4 de maio de 2013

PEQUENO POEMA


Quando eu nasci, 
ficou tudo como estava. 
Nem homens cortaram veias, 
nem o Sol escureceu, 
nem houve Estrelas a mais... 
Somente, 
esquecida das dores, 
a minha Mãe sorriu e agradeceu. 

Quando eu nasci, 
não houve nada de novo 
senão eu. 

As nuvens não se espantaram, 
não enlouqueceu ninguém... 

Pra que o dia fosse enorme, 
bastava 
toda a ternura que olhava 
nos olhos de minha Mãe...

Sebastião da Gama

segunda-feira, 29 de abril de 2013

A(MAR) LER

Filme enviado pela BE para o concurso Bibliofilmes Festival 2013 e vencedor na categoria "Ler na praia".


Fotos de professoras da escola e poemas de Manuel Alegre.

terça-feira, 23 de abril de 2013

DIA MUNDIAL DO LIVRO E DOS DIREITOS DE AUTOR

Porque hoje é dia Mundial do Livro, um texto da escritora brasileira Lygia Bojunga Nunes.


"Eu sempre usei livro pra tudo.
Pra saber ler, pra altear pé de mesa,
pra aprender a usar a imaginação,
pra enfeitar sala, quarto, a casa toda,
pra ter companhia dia e noite,
pra aprender a escrever
pra sentar em cima,
pra rir, pra gostar de pensar,
pra ter apoio num papo,
pra matar pernilongo,
pra travesseiro,
pra chorar de emoção,
pra firmar prateleiras,
pra jogar na cabeça do outro na hora da raiva,
pra me-abraçar-com,
pra banquinho pro pé.
Eu sempre usei livro pra tanta coisa
que a coisa que mais me espanta
é ver gente vivendo sem livro."

quinta-feira, 11 de abril de 2013

LÊ...

Lê , são estes os nomes das coisas que
deixaste – eu, livros, o teu perfume
espalhado pelo quarto; sonhos pela
metade e dor em dobro, beijos por
todo o corpo como cortes profundos
que nunca vão sarar; e livros, saudade,
a chave de uma casa que nunca foi a
nossa, um roupão de flanela azul que
tenho vestido enquanto faço esta lista:

livros, risos que não consigo arrumar,
e raiva – um vaso de orquídeas que
amavas tanto sem eu saber porquê e
que talvez por isso não voltei a regar; e
livros, a cama desfeita por tantos dias,

uma carta sobre a tua almofada e tanto
desgosto, tanta solidão; e numa gaveta
dois bilhetes para um filme de amor que
não viste comigo, e mais livros, e também
uma camisa desbotada com que durmo
de noite para estar mais perto de ti; e, por

todo o lado, livros, tantos livros, tantas
palavras que nunca me disseste antes da
carta que escreveste nessa manhã, e eu,

eu que ainda acredito que vais voltar, que
voltas, mesmo que seja só pelos teus livros.


Maria do Rosário Pedreira, Poesia reunida, Quetzal
ouvir o poema aqui

domingo, 7 de abril de 2013

ANIVERSÁRIO DE ALMADA NEGREIROS

Foi  há 120 anos, em São Tomé, na Roça da Saudade, que nasceu José de Almada Negreiros, filho de um tenente de cavalaria de Aljustrel e uma mestiça com fortuna.
Ver aqui, um vídeo da sua participação no programa Zip Zip, em 1969, e aqui o vídeo onde ele fala de Fernando Pessoa, seu amigo.
A Revista, do jornal Expresso de 6 de abril de 2013, (fonte da imagem) traz um longo artigo sobre o multifacetado artista e o seu espólio que foi revisto, inventariado e analisado: "Descobriram-se cartas, obras perdidas, originais e desenhos inéditos, textos e cenários de uma peça de teatro."

quinta-feira, 21 de março de 2013

DIA MUNDIAL DA POESIA

Um poema
é a reza dum rosário
imaginário.
Um esquema
dorido.
Um teorema
que se contradiz.
Uma súplica.
Uma esmola.

Dores,
vividas umas, sonhadas outras...
(Inútil destrinçar.)

 Um poema
 é a pedra duma escola
 com palavras a giz
 para a gente apagar ou guardar...


 Saúl Dias, in "Essência"

terça-feira, 19 de março de 2013

CONCURSO DE POESIA - VENCEDORES

Durante o sarau que terminou a Semana da Leitura 2013, foram divulgados os vencedores do concurso "Ler o mar", na categoria poesia.
1ºciclo: 
José Pedro Silva, 4ºano, EB1Carvalhosa, com o poema "O mar"

2ºciclo:
Catarina Oliveira, 6ºD

3ºciclo:
Bárbara Santos, 8ºC, com o poema "Mar"

Adultos
professora Maria José Coelho, com o poema "Ler azul"
Os melhores poemas vão ser compilados, brevemente, e publicados em e-book.
A todos os participantes,muitos parabéns!

terça-feira, 12 de março de 2013

CONCERTO "OUVIR O MAR"

Hoje, os alunos do ensino articulado de música deliciaram a assistência com um magnífico concerto onde se aliou a música e a poesia.
Orquestra, coro (canção do mar) e declamação de poemas sobre o mar (Sophia de Mello Breyner Andresen, Luísa Ducla Soares, João Pedro Mésseder e Manuel Bandeira) levaram cultura à escola, num momento de grande delicadeza.







quinta-feira, 7 de março de 2013

O MAR NA MÚSICA



É doce morrer no mar 
nas ondas verdes do mar

A noite que ele não veio foi
foi de tristeza para mim 
saveiro voltou sozinho 
triste noite foi para mim 

É doce morrer no mar 
nas ondas verdes do mar

saveiro partiu de noite e foi 
madrugada não voltou 
o marinheiro bonito 
sereia do mar levou 

É doce morrer no mar 
nas ondas verdes do mar

nas ondas verdes do mar 
meu bem ele se foi afogar 
fez sua cama de noivo 
no colo de Iemanjá 

É doce morrer no mar 
nas ondas verdes do mar

É doce morrer no mar 
nas ondas verdes do mar

Marisa Monte e Cesária Évora

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O MAR NA MÚSICA

 
Se tu fores à praia
se tu fores ver o mar
cuidado não te descaia
o teu pé de catraia
em óleo sujo à beira-mar
  a branca areia de ontem
  está cheiinha de alcatrão
  as dunas de vento batidas
  são de plástico e carvão
  e cheiram mal como avenidas
vieram para aqui fugidas
a lama a putrefacção
as aves já voam feridas
e outras caem ao chão
Mas na verdade Rosalinda
nas fábricas que ali vês
o operário respira ainda
envenenado a desmaiar
o que mais há desta aridez
  pois os que mandam no mundo
só vivem querendo ganhar
mesmo matando aquele
que morrendo vive a trabalhar
  tem cuidado...
Rosalinda se tu fores à praia
  se tu fores ver o mar
  cuidado não te descaia
o teu pé de catraia
em óleo sujo à beira-mar
Em Ferrel lá p´ra Peniche
  vão fazer uma central
que para alguns é nuclear
mas para muitos é mortal
os peixes hão-de vir à mão
um doente outro sem vida
não tem vida o pescador
morre o sável e o salmão
  isto é civilização
assim falou um senhor
tem cuidado
 
Fausto

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

SONETO DE ANTÓNIO NOBRE


Na praia lá da Boa Nova, um dia,
Edifiquei (foi esse o grande mal)
Alto Castelo, o que é a fantasia,
Todo de lápis-lazúli e coral!

Naquelas redondezas, não havia
Quem se gabasse dum domínio igual:
Oh Castelo tão alto! parecia
O território dum Senhor feudal!

Um dia (não sei quando, nem sei donde)
Um vento seco de Deserto e spleen
Deitou por terra, ao pó que tudo esconde,

O meu condado, o meu condado, sim!
Porque eu já fui um poderoso Conde,
Naquela idade em que se é conde assim...

António Nobre

O MAR NA MÚSICA E NA POESIA




VOZES DO MAR

Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d'oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...

Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?

Tens cantos d'epopeias? Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?!
Donde vem essa voz, ó mar amigo?... ...
Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!

Florbela Espanca Poesia Completa Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2000

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O MAR NA MÚSICA



Roendo uma laranja na falésia
Olhando o mundo azul à minha frente,
Ouvindo um rouxinol nas redondezas,
No calmo improviso do poente

Em baixo fogos trémulos nas tendas
Ao largo as águas brilham como prata
E a brisa vai contando velhas lendas
De portos e baías de piratas

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Covo

A lua já desceu sobre esta paz
E reina sobre todo este luzeiro
Á volta toda a vida se compraz
Enquanto um sargo assa no braseiro

Ao longe a cidadela de um navio
Acende-se no mar como um desejo
Por trás de mim o bafo do destino
Devolve-me à lembrança do Alentejo

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Covo

Roendo uma laranja na falésia
Olhando à minha frente o azul escuro
Podia ser um peixe na maré
Nadando sem passado nem futuro

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Covo

Porto Covo, Rui Veloso


UM CARNAVAL


domingo, 10 de fevereiro de 2013

CONCURSO DE TEXTOS SOBRE O AMOR


Com o apoio do PNL, abriu a 13ª edição do Concurso de Textos de Amor Manuel António Pina, iniciativa do Museu Nacional da Imprensa enquadrada na comemoração do Dia dos Namorados e destinada aos apaixonados de todas as idades O concurso destina-se a todos os jovens dos ensinos básico e secundário das redes pública e privada, assim como a adultos que pretendam participar com textos de amor originais, em prosa ou verso. Os textos concorrentes deverão ser registados num impresso próprio, disponível no sítio oficial do MNI (www.museudaimprensa.pt), entre 11 e 17 de fevereiro de 2013.

O MAR NA MÚSICA E NA POESIA


 
 
O navio de espelhos

O navio de espelhos
não navega cavalga

Seu mar é a floresta
que lhe serve de nível

Ao crepúsculo espelha
sol e lua nos flancos

Por isso o tempo gosta
de deitar-se com ele

Os armadores não amam
a sua rota clara

(Vista do movimento
dir-se-ia que pára)

Quando chega à cidade
nenhum cais o abriga

O seu porão traz nada
nada leva à partida

Vozes e ar pesado
é tudo o que transporta

(E no mastro espelhado
uma espécie de porta)

Seus dez mil capitães
têm o mesmo rosto

A mesma cinta escura
o mesmo grau e posto

Quando um se revolta
há dez mil insurrectos

(Como os olhos da mosca
reflectem os objectos)

E quando um deles
ala o corpo sobre os mastros
e escruta o mar do fundo

Toda a nave cavalga
(como no espaço os astros)

Do princípio do mundo
até ao fim do mundo

Poema de Mário Cesariny (dito pelo próprio)
Música de Rodrigo Leão / Gabriel Gomes

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O MAR NA MÚSICA


(clicar para ver no Youtube)


Ao Passar Um Navio

Todas as vozes
de todos os mundos
devem cantar
para sempre assim

e cedo passa a hora
e o sonho que tarda
e essa voz que chora
é só porque sabe...

que ao passar um navio
fica o mar sempre igual
ao passar uma vida
fica o sonho sempre igual

todas as vezes
em todos os mundos
devia amar-te
para sempre assim

e longe vai a hora
e o sonho que tarda
e essa voz que chora
é só porque sabe...

que ao passar um navio
 fica o mar sempre igual
ao passar uma vida
fica o sonho sempre igual

vou passar um navio
ver o mar sempre igual
vou gastando uma vida
que o meu sonho é sempre igual

in, O caminho da felicidade, Delfins

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