Hoje o poema é de Adolfo Simões Muller, escritor, poeta e jornalista, tendo-se destacado na literatura infantil. É autor de uma adaptação de Os Lusíadas de Luís de Camões.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
domingo, 13 de dezembro de 2009
sábado, 12 de dezembro de 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
POEMA DE NATAL
POEMA DE NATAL
O melhor poema é o que sai da inocência de uma criança. Sobreuto quando essa criança, no Natal, apenas pede uma caixa de fósforos para se aquecer ou... o céu!...
Também o fez "A menina dos fósforos" de Hans Christian Andersen, uma leitura recomendada. Quem não tem o livro, pode lê-lo aqui.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
POEMA DE NATAL
Hoje, o poema é de David Mourão-Ferreira, escritor e professor universitário português, natural de Lisboa. É um dos grandes poetas contemporâneos do século XX.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
PORTO PORTO

Foi, hoje, na FNAC do Norteshopping. João Pedro Mésseder e Helena Veloso apresentaram Porto Porto, um livro de poemas para crianças, jovens e menos jovens sobre esta cidade que o autor considera uma cidade literária que a pintura também imortaliza.
O título foi "roubado" a Sérgio Godinho cuja canção, um apelo à liberdade, serviu de epígrafe:
“Dizem que os pintos não voam
este voou sobre as casas
os que não voam não querem
ou lhes cortaram as asas
Porto Porto
Porto Porto”
Na contracapa do livro lê-se: "Era uma vez uma cidade. Como todas, também esta tem uma longa história. E tem a luz, as sombras, as cores, os brilhos que lhe são próprios." E é essa história que a obra reflecte. O Porto antigo - a Ribeira, as pontes, o eléctrico - mas também os lugares menos antigos - a avenida da Boavista e a Casa da Música, esse “diamante vindo do céu”. As casas, o parque, o coreto de S. Lázaro e as pessoas que habitam lugares típicos também lá têm o seu lugar. Como a cidade se tornou uma cidade multicultural, os poemas “Sem nome” e “Canção conversada” são dedicados a quem fez do Porto a sua pátria. O autor acrescentou, ainda, que a ilustração fala por si: a pequena fada que sobrevoa a cidade fruindo os seus encantos e aparece ao logo do livro dá-lhe unidade.
Por sua vez, a ilustradora Helena Veloso transmitiu as suas sensações face à ilustração dos poemas que retrata a atmosfera do Porto e o seu ar monocromático. A personagem fada que sobrevoa a cidade é um ponto de cor e de vivacidade e a sua forma ovalada simboliza o nascimento.
Para fazer estas ilustrações, a artista teve de fazer trabalho de campo: partiu de visita à cidade, explorou os seus recantos, fotografou.
Texto e imagem deram origem à obra de arte que é Porto Porto.
O título foi "roubado" a Sérgio Godinho cuja canção, um apelo à liberdade, serviu de epígrafe:
“Dizem que os pintos não voam
este voou sobre as casas
os que não voam não querem
ou lhes cortaram as asas
Porto Porto
Porto Porto”
Na contracapa do livro lê-se: "Era uma vez uma cidade. Como todas, também esta tem uma longa história. E tem a luz, as sombras, as cores, os brilhos que lhe são próprios." E é essa história que a obra reflecte. O Porto antigo - a Ribeira, as pontes, o eléctrico - mas também os lugares menos antigos - a avenida da Boavista e a Casa da Música, esse “diamante vindo do céu”. As casas, o parque, o coreto de S. Lázaro e as pessoas que habitam lugares típicos também lá têm o seu lugar. Como a cidade se tornou uma cidade multicultural, os poemas “Sem nome” e “Canção conversada” são dedicados a quem fez do Porto a sua pátria. O autor acrescentou, ainda, que a ilustração fala por si: a pequena fada que sobrevoa a cidade fruindo os seus encantos e aparece ao logo do livro dá-lhe unidade.
Por sua vez, a ilustradora Helena Veloso transmitiu as suas sensações face à ilustração dos poemas que retrata a atmosfera do Porto e o seu ar monocromático. A personagem fada que sobrevoa a cidade é um ponto de cor e de vivacidade e a sua forma ovalada simboliza o nascimento.
Para fazer estas ilustrações, a artista teve de fazer trabalho de campo: partiu de visita à cidade, explorou os seus recantos, fotografou.
Texto e imagem deram origem à obra de arte que é Porto Porto.
CONTO DA SEMANA

A rua tinha luzes de muitas cores que, encavalitadas nos postes, faziam desenhos de Natal. E dançavam ao som duma música cheia de sonoridades leves como algodão. De vez em quando passava um automóvel apressado. Apesar disto, ali da montra onde se encontravam, tudo era frio e distante. Eram duas bonecas que ninguém quis comprar.
— Este é o nosso primeiro Natal…
— E, decerto, o último. Se ninguém nos comprou, vamos ser retiradas da montra e arrumadas, ou entregues à caridade, ou destruídas.
— Assim será, com certeza. A nossa vida depende das leis do mercado.
E foram conversando para passar o tempo, ora filosofando sobre a sua efémera existência, a sua matéria breve, ora imaginando como seria o Natal das pessoas, que só conheciam de ver passar na rua, ou da loja, quando entravam para comprar bonecas.
— Esta é belíssima, elegante, tem um belo vestido e uma cintura fina.
— Esta tem uma expressão de felicidade, um olhar doce.
— Aquela, de cabelos louros, tem no rosto o sol abrasador do Verão.
Mesmo para uma boneca, era triste ficar ali na noite de Natal a olhar a solidão da rua. Sobretudo quando imaginavam a alegria das outras bonecas que tinham sido vendidas: a emoção de sair de dentro dos embrulhos, de sentir todas as atenções, de receber um nome, de entrar na família fantástica das crianças.
Todas as pessoas deviam ter uma casa, porque ninguém passava na rua. Todos os meninos deviam ter brinquedos na noite de Natal, porque os brinquedos mais bonitos tinham sido vendidos. Em todo o mundo devia haver alegria e surpresa e magia naquela noite, porque era dessa forma que a imaginavam.
Dentro das casas, o ar estaria povoado de seres fantásticos, que se moviam como se não tivessem peso. Esvoaçavam como se fossem pequenos pássaros transparentes. E isto criava uma grande excitação entre as crianças. Elas próprias se sentiam tão leves que os seus movimentos eram como os movimentos dos astronautas: dançavam, elevavam-se, sorriam, tocavam-se, cantavam melodias afinadíssimas e finas como um fio de cristal. As bonecas entravam também nesta dança fantástica como se fossem pessoas de verdade. A árvore de Natal transformara-se numa enorme tília de grandes ramos. Havia baloiços pendurados nos ramos. Havia pequeninas casas suspensas nos ramos. As estrelas desciam e poisavam nos ramos. E todos aqueles seres – crianças, anjos, pássaros, estrelas e bonecas – percorriam os ramos, como se fossem caminhos, entravam nas casinhas, dançavam nos baloiços, agarravam-se à cauda das estrelas. Entre os ramos mais distantes construíam passadiços e imaginavam rios por onde às vezes desciam: bebericavam, tomavam um banho, atiravam salpicos de água uns aos outros.
Estavam assim imaginando, quando se aproximou da montra uma figura muitíssimo estranha: tinha umas roupas sujas e gastas, os cabelos sujos e desalinhados, a barba suja e por fazer e nos seus olhos havia fome, desolação e desprezo. Falava sozinho palavras imperceptíveis.
— Esta figura não deve ser de cá…
— Talvez tenha descido de outro planeta, um planeta onde não há Natal, nem casas, nem anjos, nem estrelas, nem amigos…
A rua continuava deserta e o homem continuava ali fitando a montra e falando desordenadamente. De nenhum lado surgia uma sombra, uma voz, um movimento, um pássaro branco, um anjo de tule, um caule de luz. Até a música de algodão pendurada nos postes se tinha já calado.
— Como deve ser triste a vida na terra, na cidade ou no planeta donde veio…
Nada no seu rosto fazia lembrar a alegria: nenhuma expressão, nenhum traço, nenhuma palavra.
De vez em quando estendia o braço, apontando não se sabia o quê, apontando por apontar; e o vento gelado da noite alinhava os seus cabelos na direcção do braço. E nada lá ao longe fazia lembrar a liberdade. Outras vezes ficava estático e imóvel, fitando o infinito. Parecia uma estátua feita do mais cruel abandono; parecia um tronco velho de uma árvore; parecia a coluna de um palácio abandonado. E nada na sua pose fazia lembrar a paz. Outras vezes ajoelhava-se fitando o chão, como se o chão fosse um enigma por decifrar, como se na pedra do chão estivesse gravado um vestígio de Deus; como se Deus se tivesse esquecido, por acaso, de uma marca, um indício, um grão de poeira, um cabelo que fosse.
— Há tempos ouvi falar aqui na loja de um país ou planeta onde as pessoas são desprezadas, onde lhes negam o pão e as obrigam a matar-se umas às outras. Os que as governam são maus e obrigam-nas a viver na rua como animais vadios.
O homem não tirava os olhos da montra como se estivesse a falar com as bonecas, mas utilizando uma linguagem que elas não entendiam. Poisou no chão umas sacas que trazia consigo e começou a esbracejar. Mas nenhum dos seus gestos fazia lembrar a justiça. Ora estava de pé, ora de cócoras, ora se sentava no passeio. Mas sempre desenhando a mesma veemência, a mesma impaciência.
— Talvez queira dizer-nos alguma coisa. Talvez pense que somos pessoas. Talvez procure em nós uma resposta para as suas perguntas.
— Talvez tenha pena de nós e ficasse ali a distrair a nossa solidão.
Passado muito tempo, adormeceu encostado à montra. Um cão que passava remexeu-lhe nas sacas e fugiu abocando alguma coisa que não puderam ver o que era. Depois veio outro cão e deitou-se ao calor dos seus pés. Assim ficaram ali pela noite dentro. Era quase de madrugada quando apareceu, não se sabe de onde, uma mulher igualmente desgrenhada, cambaleante e com os olhos cheios de amargura e abandono. Trazia nos braços algo que poderia ser uma criança. Deitou-se também, puxou um dos sacos para a cabeça a fazer de travesseiro e adormeceu.
— São estranhas estas figuras… Como é que no país ou no planeta lá onde moram não há Natal?
— Como devem ser infelizes as pessoas… Um planeta sem Natal devia ser extinto, devia explodir nos ares, ficar desfeito em poeira fina e disperso pela imensidão dos céus.
— Provavelmente foram expulsas e tiveram de caminhar dias e noites até encontrar este recanto.
— Tiveram sorte de não serem assaltadas pelo caminho, nem de morrerem de frio, de sede ou de fome.
— Talvez tenham uma resistência e uma energia maior do que a das pessoas que conhecemos.
— Talvez o seu corpo não sinta frio nem calor. Talvez não precisem de alimento, de carinho, de amizade.
— Pelo menos numa coisa são diferentes de nós, bonecas: precisam de dormir…
— Devem ser alimentados e encorajados durante o sono por um anjo ou outro ser invisível.
Por um tempo deixaram-se destas conjecturas e voltaram a pensar como seria o Natal dentro das casas. Agora todos estariam já a dormir, sonhando com os anjos, os pássaros transparentes, as estrelas; sonhando com um tal Jesus, que não sabiam muito bem quem era, mas devia ser tão maravilhoso que até lhe chamavam Salvador.
Estavam assim imaginando, quando surgiu um carro da polícia. Parou em frente à montra. De dentro saiu um homem com uma farda e deu um pontapé no cão, que ganiu e fugiu a coxear. Depois fez o mesmo ao homem e à mulher e obrigou-os a entrar no carro, o que fizeram ensonados e sem oferecer resistência.
— Sempre não devem ser de cá…
— Talvez as autoridades os tenham levado para analisar e estudar como é a vida no país ou planeta de onde vieram.
— Ah! Já sei porque vieram buscá-los. Não te lembras de ouvir falar do Presépio? Era um homem, uma mulher, uma criança e um animal. Decerto andavam à procura de um presépio raro, e encontraram este e levaram-no para um museu.
— O que é um museu?
— É uma casa muito grande cheia de coisas antigas, raras e valiosas onde também há pessoas com olhos, boca, ouvidos e mãos; mas não vêem, não falam, não ouvem, não cumprimentam ninguém. Chamam-se estátuas.
— E dentro dos museus também há Natal?…
— Este é o nosso primeiro Natal…
— E, decerto, o último. Se ninguém nos comprou, vamos ser retiradas da montra e arrumadas, ou entregues à caridade, ou destruídas.
— Assim será, com certeza. A nossa vida depende das leis do mercado.
E foram conversando para passar o tempo, ora filosofando sobre a sua efémera existência, a sua matéria breve, ora imaginando como seria o Natal das pessoas, que só conheciam de ver passar na rua, ou da loja, quando entravam para comprar bonecas.
— Esta é belíssima, elegante, tem um belo vestido e uma cintura fina.
— Esta tem uma expressão de felicidade, um olhar doce.
— Aquela, de cabelos louros, tem no rosto o sol abrasador do Verão.
Mesmo para uma boneca, era triste ficar ali na noite de Natal a olhar a solidão da rua. Sobretudo quando imaginavam a alegria das outras bonecas que tinham sido vendidas: a emoção de sair de dentro dos embrulhos, de sentir todas as atenções, de receber um nome, de entrar na família fantástica das crianças.
Todas as pessoas deviam ter uma casa, porque ninguém passava na rua. Todos os meninos deviam ter brinquedos na noite de Natal, porque os brinquedos mais bonitos tinham sido vendidos. Em todo o mundo devia haver alegria e surpresa e magia naquela noite, porque era dessa forma que a imaginavam.
Dentro das casas, o ar estaria povoado de seres fantásticos, que se moviam como se não tivessem peso. Esvoaçavam como se fossem pequenos pássaros transparentes. E isto criava uma grande excitação entre as crianças. Elas próprias se sentiam tão leves que os seus movimentos eram como os movimentos dos astronautas: dançavam, elevavam-se, sorriam, tocavam-se, cantavam melodias afinadíssimas e finas como um fio de cristal. As bonecas entravam também nesta dança fantástica como se fossem pessoas de verdade. A árvore de Natal transformara-se numa enorme tília de grandes ramos. Havia baloiços pendurados nos ramos. Havia pequeninas casas suspensas nos ramos. As estrelas desciam e poisavam nos ramos. E todos aqueles seres – crianças, anjos, pássaros, estrelas e bonecas – percorriam os ramos, como se fossem caminhos, entravam nas casinhas, dançavam nos baloiços, agarravam-se à cauda das estrelas. Entre os ramos mais distantes construíam passadiços e imaginavam rios por onde às vezes desciam: bebericavam, tomavam um banho, atiravam salpicos de água uns aos outros.
Estavam assim imaginando, quando se aproximou da montra uma figura muitíssimo estranha: tinha umas roupas sujas e gastas, os cabelos sujos e desalinhados, a barba suja e por fazer e nos seus olhos havia fome, desolação e desprezo. Falava sozinho palavras imperceptíveis.
— Esta figura não deve ser de cá…
— Talvez tenha descido de outro planeta, um planeta onde não há Natal, nem casas, nem anjos, nem estrelas, nem amigos…
A rua continuava deserta e o homem continuava ali fitando a montra e falando desordenadamente. De nenhum lado surgia uma sombra, uma voz, um movimento, um pássaro branco, um anjo de tule, um caule de luz. Até a música de algodão pendurada nos postes se tinha já calado.
— Como deve ser triste a vida na terra, na cidade ou no planeta donde veio…
Nada no seu rosto fazia lembrar a alegria: nenhuma expressão, nenhum traço, nenhuma palavra.
De vez em quando estendia o braço, apontando não se sabia o quê, apontando por apontar; e o vento gelado da noite alinhava os seus cabelos na direcção do braço. E nada lá ao longe fazia lembrar a liberdade. Outras vezes ficava estático e imóvel, fitando o infinito. Parecia uma estátua feita do mais cruel abandono; parecia um tronco velho de uma árvore; parecia a coluna de um palácio abandonado. E nada na sua pose fazia lembrar a paz. Outras vezes ajoelhava-se fitando o chão, como se o chão fosse um enigma por decifrar, como se na pedra do chão estivesse gravado um vestígio de Deus; como se Deus se tivesse esquecido, por acaso, de uma marca, um indício, um grão de poeira, um cabelo que fosse.
— Há tempos ouvi falar aqui na loja de um país ou planeta onde as pessoas são desprezadas, onde lhes negam o pão e as obrigam a matar-se umas às outras. Os que as governam são maus e obrigam-nas a viver na rua como animais vadios.
O homem não tirava os olhos da montra como se estivesse a falar com as bonecas, mas utilizando uma linguagem que elas não entendiam. Poisou no chão umas sacas que trazia consigo e começou a esbracejar. Mas nenhum dos seus gestos fazia lembrar a justiça. Ora estava de pé, ora de cócoras, ora se sentava no passeio. Mas sempre desenhando a mesma veemência, a mesma impaciência.
— Talvez queira dizer-nos alguma coisa. Talvez pense que somos pessoas. Talvez procure em nós uma resposta para as suas perguntas.
— Talvez tenha pena de nós e ficasse ali a distrair a nossa solidão.
Passado muito tempo, adormeceu encostado à montra. Um cão que passava remexeu-lhe nas sacas e fugiu abocando alguma coisa que não puderam ver o que era. Depois veio outro cão e deitou-se ao calor dos seus pés. Assim ficaram ali pela noite dentro. Era quase de madrugada quando apareceu, não se sabe de onde, uma mulher igualmente desgrenhada, cambaleante e com os olhos cheios de amargura e abandono. Trazia nos braços algo que poderia ser uma criança. Deitou-se também, puxou um dos sacos para a cabeça a fazer de travesseiro e adormeceu.
— São estranhas estas figuras… Como é que no país ou no planeta lá onde moram não há Natal?
— Como devem ser infelizes as pessoas… Um planeta sem Natal devia ser extinto, devia explodir nos ares, ficar desfeito em poeira fina e disperso pela imensidão dos céus.
— Provavelmente foram expulsas e tiveram de caminhar dias e noites até encontrar este recanto.
— Tiveram sorte de não serem assaltadas pelo caminho, nem de morrerem de frio, de sede ou de fome.
— Talvez tenham uma resistência e uma energia maior do que a das pessoas que conhecemos.
— Talvez o seu corpo não sinta frio nem calor. Talvez não precisem de alimento, de carinho, de amizade.
— Pelo menos numa coisa são diferentes de nós, bonecas: precisam de dormir…
— Devem ser alimentados e encorajados durante o sono por um anjo ou outro ser invisível.
Por um tempo deixaram-se destas conjecturas e voltaram a pensar como seria o Natal dentro das casas. Agora todos estariam já a dormir, sonhando com os anjos, os pássaros transparentes, as estrelas; sonhando com um tal Jesus, que não sabiam muito bem quem era, mas devia ser tão maravilhoso que até lhe chamavam Salvador.
Estavam assim imaginando, quando surgiu um carro da polícia. Parou em frente à montra. De dentro saiu um homem com uma farda e deu um pontapé no cão, que ganiu e fugiu a coxear. Depois fez o mesmo ao homem e à mulher e obrigou-os a entrar no carro, o que fizeram ensonados e sem oferecer resistência.
— Sempre não devem ser de cá…
— Talvez as autoridades os tenham levado para analisar e estudar como é a vida no país ou planeta de onde vieram.
— Ah! Já sei porque vieram buscá-los. Não te lembras de ouvir falar do Presépio? Era um homem, uma mulher, uma criança e um animal. Decerto andavam à procura de um presépio raro, e encontraram este e levaram-no para um museu.
— O que é um museu?
— É uma casa muito grande cheia de coisas antigas, raras e valiosas onde também há pessoas com olhos, boca, ouvidos e mãos; mas não vêem, não falam, não ouvem, não cumprimentam ninguém. Chamam-se estátuas.
— E dentro dos museus também há Natal?…
Nuno Higino
A mais alta estrela – Sete histórias de Natal
CENATECA, Associação Teatro e Cultura, Marco de Canaveses, 2000
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
POEMA DE NATAL
O poema de hoje é de Vitorino Nemésio, ficcionista, poeta, cronista, ensaísta, biógrafo, historiador da literatura e da cultura, jornalista, investigador, epistológrafo, filólogo e comunicador televisivo, para além de toda a actividade de docência. De origem açoriana, foi professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
domingo, 6 de dezembro de 2009
POEMA DE NATAL
sábado, 5 de dezembro de 2009
POEMA DE NATAL
Hoje, a escolha recaiu em Miguel Torga, um dos maiores poetas da literatura portuguesa.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
POEMA DE NATAL
Matilde Rosa Araújo escreve para adultos e para crianças e a poesia está presente em toda a sua obra.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
POEMA DE NATAL
O Inverno está aí, as andorinhas partiram. A Natureza adormeceu e a paisagem pintou-se de neve. O Natal está a chegar.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
CONTO DA SEMANA
Para pensar e fazer silêncio.
O Silêncio e a Tranquilidade
Chama-se ao Advento o tempo do silêncio. Apesar disso, muitos são os que o vivem enquanto tempo de barulho e de agitação. As pessoas precipitam-se para as lojas a fim de fazer as compras de Natal. E, no entanto, o silêncio é necessário para que Deus possa vir até nós. Sem silêncio, não nos apercebemos da sua vinda, não o ouviremos bater à porta do nosso coração.
Em alemão, a noção de silêncio encontra-se ligada à de imobilidade. Para fazermos silêncio em nós, importa que paremos, que deixemos de correr de um lado para o outro, que deixemos de nos agitar e fiquemos sozinhos connosco. Só me encontrarei a mim próprio se me imobilizar. Deixarei então de viver no exterior a minha agitação; aperceber-me-ei dela dentro de mim. Só alcança o silêncio, a tranquilidade, aquele que sabe resistir à sua própria agitação. A língua alemã associa igualmente, num único vocábulo [Stille, Stillen], a tranquilidade e a amamentação do recém-nascido. Ao aleitar a criança que chora com fome, a mãe acalma-a. Da mesma forma, devo aquietar o choro interior da minha alma. Quando deixo de me agitar no exterior, o meu coração grita de fome; e grita de insatisfação. Sente necessidade de alimento e, por isso, devo consagrar-me maternalmente a ele, para que se apazigue. Ora, muitos são aqueles que têm medo de escutar o coração que grita de fome; preferem ignorá-lo, agitando-se sem cessar, sempre em rodopio. Mas o coração continua a gritar, não querendo que o ignorem, pois sente a necessidade de atenção, de alimento. “Apenas em Deus encontrarei o repouso para a minha alma”, diz um Salmo (62[61],1). Ainda hoje é cantado todas as quartas-feiras, à hora das completas*; e sinto-me sempre tocado por ele. Eu próprio não consigo acalmar o coração; quando ouço o seu grito, pressinto que ele sente fome de algo mais do que aquilo que lhe posso dar. É Deus quem ele deseja; só em Deus poderá repousar verdadeiramente. Tu que me lês, dá-te a ti próprio, durante o Advento, alguns momentos de silêncio e de tranquilidade que te permitam procurar Deus. E sempre que, no meio do silêncio, surgir em primeiro lugar o barulho interior, suporta-o muito simplesmente. Pára, permanece imóvel; oferece a Deus o teu coração que grita, para que ele apazigue a sua fome. É então
que o silêncio se tornará um bálsamo e nele poderás mergulhar a tua alma. Suportarás então um frente a frente com a tua própria verdade, poderás até saborear o facto de estares, muito simplesmente, contigo mesmo, diante de Deus. No silêncio, ninguém te exige nada; nele permaneces tal qual és, com toda a simplicidade.
Mas o silêncio não é apenas necessário durante o Advento, também o é no Natal. Para mim, celebrar a noite da Natividade implica que, após a celebração em comum, eu consagre três horas a meditar em solidão, escutando uma parte do Oratório * do Natal e prestando atenção ao silêncio. Pois sei que Deus só pode nascer em mim no silêncio.
No segundo domingo depois do Natal, cantamos no início da missa um trecho do Livro da Sabedoria: “No instante em que um silêncio reconfortante envolvia todas as coisas e em que a noite chegava ao meio da sua apressada caminhada / do alto dos céus, a Palavra toda–poderosa desceu do trono real” (Sabedoria, 18, 14-15). Deus só descerá ao meu coração quando nele se tiverem instalado o silêncio e a tranquilidade. É no seio do mais profundo silêncio e quando a palavra humana se tiver calado, que se dará o nascimento de Deus. Calando-me, não posso obrigar Deus a vir até mim; mas o silêncio é condição necessária para que me aperceba da sua presença em mim. Ao fazer silêncio, desço às minhas profundezas, e o caminho que me leva até lá passa pela obscuridade da minha noite, pela noite da minha angústia e da minha solidão. É então que deixo para trás o trono da realeza onde permaneço seguro de mim, e de onde determino e conduzo a minha vida. É então que mergulho até ao fundo da minha alma. Porque só aí Deus pode nascer em mim; é apenas nas profundezas do meu coração, onde já nenhum ruído exterior penetra, que Deus deseja tornar-se homem em mim.
Notas:
Anselm Grün
Curta Meditação sobre
as Festas de Natal
Mesmo para quem não é católico, mesmo para os agnósticos, este texto faz sentido: parar para ouvir o silêncio é cada vez mais uma urgência neste mundo vivido a um ritmo louco, alucinante, onde o ruído é rei e a falta de tempo é rainha.
NOVA RUBRICA: UM POEMA E UMA ESTÓRIA
Agora que entramos em Dezembro, o mês do Natal, convidamos os nossos leitores a ler poesia, à lareira, para aquecer a alma e esquecer o frio que faz lá fora.
Todos os dias, um poema de Natal; todas as semanas, uma estória.
O poema de hoje é de Luísa Ducla Soares.

Boas leituras.
Todos os dias, um poema de Natal; todas as semanas, uma estória.
O poema de hoje é de Luísa Ducla Soares.

Boas leituras.
domingo, 29 de novembro de 2009
FEIRA DO LIVRO
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
ALUNOS DO 7ºE NA BE
Os alunos do 7ºE estiveram, hoje, na BE, acompanhados pela professora de Estudo Acompanhado, para aprenderem a criar um blogue. Depois de algumas considerações teóricas sobre o papel dos blogues e de alguma reflexão pessoal sobre o objectivo a atingir, os alunos assistiram à manutenção do fora-da-estante e um dos alunos criou o seu blogue pessoal.
No final, a turma foi aconselhada a construir e manter o blogue da turma, com a função de webfolio, para poder publicar os trabalhos produzidos ao longo do ano e mostrar a evolução das aprendizagens.
No final, a turma foi aconselhada a construir e manter o blogue da turma, com a função de webfolio, para poder publicar os trabalhos produzidos ao longo do ano e mostrar a evolução das aprendizagens.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
50 ANOS DA DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DAS CRIANÇAS
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CONCURSO
A DGIDC está a promover um concurso de ilustração, subordinado a este tema, que vai decorrer entre 3 de Novembro e 2 de Março (data da publicação dos resultados). "A realização destes trabalhos permite que, em cada comunidade educativa, educadores, docentes, alunos e também os pais e encarregados de educação possam desenvolver uma reflexão e boas práticas sobre os direitos da criança".
O REGULAMENTO pode ser consultado aqui.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
INTERNET SEGURA - CARTILHA
Mais um filme, divulgado pelo Youtube, que alerta para os perigos da Internet.
A Internet tem tanto de bom como de mau. Compete a cada um ter cautela e não se deixar enganar. Os perigos estão à espreita, é preciso saber fugir deles.
domingo, 15 de novembro de 2009
PARABÉNS, FORA-DA-ESTANTE
Foram dois anos de convívio com os livros, retirados das estantes para serem lidos. Esperemos que as sugestões tenham sido aceites e que os leitores se tenham deliciado e passado óptimos momentos na sua companhia.
Aqui ficaram, também, registados poemas, videos sobre livros e leituras e, o mais importante, textos de alunos e actividades desenvolvidas na e pela Biblioteca Escolar, num trabalho de parceria com grupos disciplinares e alunos.
Um blogue alimenta-se de tudo isto. E de comentários dos seus leitores e seguidores. Por isso, cada leitor, deixe a sua opinião para ajudá-lo a crescer e a fortalecer.
Obrigado a todos que o visitam.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
INTERNET SEGURA

Internet Segura é o título de um CDrom oferecido pela DGIDC , no âmbito do Plano Tecnológico da Educação, cujo conteúdo é composto por quatro módulos de apoio a alinos, professores e encarregados de educação. Cada módulo inclui recursos para se explorar a utilização da Internet com segurança: filmes, actividades práticas, documentos informativos, links para sites que exploram o tema. O contéudo do CD é gratuito e pode ser copiado, distribuído e instalado em qualquer computador.
Outros títulos da colecção "Software livre na escola":
- Matemática e Ciências
- Eu sei (jogos e actividades para Língua Portuguesa, Matemática e Estudo do Meio - 1ºciclo
- Pré-escolar, 1º, 2º e 3ºciclos (aborda conteúdos de várias disciplinas)
- Ciências experimentais
- Quadros interactivos I e II
Os ficheiros podem ser descarregados aqui.
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