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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

PORTAL MULTIPESSOA


O portal MultiPessoa destina-se a quem quer saber mais sobre Fernando Pessoa e tem como objectivos:
- Divulgar a obra de Fernando Pessoa, tornando-a acessível a qualquer leitor, através de uma espécie de antologia interactiva, o Labirinto;
- Ser um instrumento didáctico que facilite e apoie o estudo da obra pessoana na sua multiplicidade;
- Servir como instrumento de investigação ao permitir pesquisas de texto complexas na obra de Fernando Pessoa.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

CARTAS DE AMOR





E voltamos a Fernando Pessoa.
Não é uma carta mas um poema sobre cartas de amor. Afinal, quem ainda não escreveu uma?

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

domingo, 8 de fevereiro de 2009

SETE DIAS, SETE CARTAS DE AMOR - 1ª CARTA

Falta uma semana para o dia de S. Valentim. Até lá, vamos publicar cartas de amor de pessoas famosas. Começamos por Fernando Pessoa cujas cartas escritas a Ophélia Queiroz estão publicadas no livro Cartas de amor de Fernando Pessoa, das Edições Ática, 1978.
9.10.1929



Terrível Bébé:
Gosto das suas cartas, que são meiguinhas, e também gosto de si, que é meiguinha tambem. E é bonbom, e é vespa, e é mel, que é das abelhas e não das vespas, e tudo está certo, e o Bébé deve escrever-me sempre, mesmo que eu não escreva, que é sempre, e eu estou triste, e sou maluco, e ninguem gosta de mim, e tambem porque é que havia de gostar, e isso mesmo, e torna tudo ao principio, e parece-me que ainda lhe telephono hoje, e gostava de lhe dar um beijo na bocca, com exactidão e gulodice e comer-lhe a bocca e comer os beijinhos que tivesse lá escondidos e encostar-me ao seu hombro e escorregar para a ternura dos pombinhos, e pedir-lhe desculpa, e a desculpa ser a fingir, e tornar muitas vezes, e ponto final até recomeçar, e por que é que a Ophelinha gosta de um meliante e de um cevado e de um javardo e de um indivíduo com ventas de contador de gaz e expressão geral de não estar alli mas na pia da casa ao lado, e exactamente, e enfim, e vou acabar porque estou doido, e estive sempre, e é de nascença, que é como quem diz desde que nasci, e eu gostava que a Bébé fosse uma boneca minha, e eu fazia como uma creança, despia-a e o papel acaba aqui mesmo, e isto parece impossível ser escrito por um ente humano, mas é escripto por mim.


Fernando
(Página 155)

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