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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A MELHOR CARTA 2013

Queres ganhar um IPAD? Só tens de escrever a melhor carta explicando por que motivo a água é um recurso precioso.
O prazo limite é 1 de março de 2013. Mostra a tua carta à professora de português ou à professora bibliotecária e concorre.
 

REGULAMENTO

Este concurso é promovido em Portugal pelos CTT Correios de Portugal e pela Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM). Destina-se a jovens entre os 9 e os 15 anos e é promovido a nível internacional pela União Postal Universal (UPU). A carta vencedora irá representar Portugal no concurso internacional, a par das cartas premiadas pelos demais países membros da UPU.

domingo, 28 de outubro de 2012

MAIS UMA MENSAGEM À BIBLIOTECA ESCOLAR

Mais uma carta à Biblioteca Escolar, resposta ao desafio da professora bibliotecária, Ana Paula Oliveira, no âmbito das comemoração do MIBE.

Escapães, 19 de outubro de 2012


Olá, Biblioteca: 
Porque tens tantos livros nas tuas estantes? 
Será para eu conhecer o mundo antigo e o moderno nas tuas enciclopédias? 
Será para eu me encontrar com os piratas das Caraíbas? Para saber tudo sobre os dinossauros? Ou para conhecer tudo sobre polícias, a profissão que eu quero ter quando for grande? Ou para me permitir viajar pelos planetas e viver grandes aventuras no espaço? 
Os teus livros de aventuras permitem-me viajar sem sair do meu lugar. Permitem-me conhecer a História de Portugal, tudo sobre paleontologia e paleontólogos, tudo sobre o corpo humano e descobrir os animais, o seu modo de vida e as suas cores. Enfim, os teus livros permitem-me explorar o mundo e ter mais conhecimentos. 
Gostaria que me emprestasses um livro que ande debaixo de água para eu poder conhecer o mar por dentro. 
Podes dar-me um livro com asas para a minha imaginação fluir e me permitir voar? 
Através dos teus livros, posso ir buscar tesouros e ajudar os pobres e, ainda, protegê-los dos monstros com as personagens. Posso andar sobre rodas de um lado para o outro e conhecer o mundo. 
Biblioteca, gostas de animar as pessoas que vêm buscar os teus livros?

Nós gostamos muito de ti.

alunos da EB1 de Igreja, Escapães (2º e 4ºanos)

sábado, 27 de outubro de 2012

CARTA À BIBLIOTECA ESCOLAR


Desafio lançado aos alunos do 1ºciclo pela professora bibliotecária Ana Paula Oliveira, no âmbito das comemorações do Mês Internacional da Biblioteca Escolar. Cada aluno deveria escrever um parágrafo. Depois de entregues à PB, foram compilados e a carta surgiu.

Milheirós de Poiares, 16 de outubro de 2012

Querida Biblioteca:

Tens dentro de ti livros tão fascinantes que deixam os nossos olhos brilhantes!
És um local espantoso! Além de ler os teus livros, entro em ti e assisto a contos e a teatros. Em ti encontro poesia e fantasia!
Quero agradecer a tua generosidade porque nos emprestas os teus livros e nos deixas encantados com as suas histórias.
A ti, alunos e professores podem ir buscar muita alegria. Os teus livros são diversos e já encontrei prosas, poemas, bandas desenhadas e muitas coisas animadas!
Tu, com todos os teus livros, fazes maravilhas. Tu distrais-me, ocupas os meus tempos livres, ajudas-me a aprender. Contigo, Biblioteca, aprendo a crescer!
Quero que saibas que contigo aprendo muito: a estar em silêncio, a escolher livros, a assistir a horas do conto e até a fazer teatro.
E, em ti, procuro descobrir cada vez mais coisas novas.
Com a tua ajuda posso estudar, ler, aprender e fantasiar… No fundo, tu levas-me a sonhar!
Obrigada por me deixares requisitar as tuas histórias maravilhosas, usar os teus computadores e assistir a horas do conto que me fazem delirar.
Obrigada por seres um espaço tão agradável.


alunos do 3ºD, EB1 Milheirós de Poiares
(profª Isabel Carvalho)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

CONCURSO DE ESCRITA - CARTA

Daniel Pennac redigiu 0s 10 direitos inalienáveis do leitor. Diz o 6º que cada leitor tem "O direito de amar os heróis dos romances". Neste sentido, a BE acaba de lançar estes desafio aos alunos, até ao próximo dia 14 de Fevereiro, Dia de S. Valentim :

Os alunos podem ganhar inspiração (atenção: inspiração não é cópia!!!), lendo estes exemplos aqui e aqui.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

10 DE JUNHO - DIA DE CAMÕES


Com a "Carta de amor a Luís de Camões", incluída neste livro que contém três histórias de amor, Sofia Ester ganhou um prémio (4º Concurso Nacional de Jornalismo Juvenil). O livro foi levado para uma aula de Língua Portuguesa, do 9ºA, e a carta foi lida aos alunos que iam começar a estudar Camões e Os Lusíadas.
Desafiados a, também eles, escreverem uma carta a Luís de Camões, como forma de mostrarem os seus conhecimentos após a pesquisa, assim o fizeram e boas cartas foram escritas.
Em homenagem ao nosso grande poeta, aqui fica a carta que a Sandra Santos escreveu, em nome de Luís de Camões, como resposta à Leonor Santos, a personagem de Sofia Ester.

Paraíso, 23 de Janeiro de 2009
Querida Leonor:
Sei que escreveste esta carta em vão, não esperando resposta, mas os Mensageiros do Paraíso encontraram-na a vaguear pelo mar e entregaram-ma. Como é gratificante saber, depois de tantos anos, que há alguém a pensar em mim e a reconhecer o meu trabalho. O medo de perder a minha valiosa Epopeia, naquele mar ingrato, e que ninguém a pudesse ler, foi horrível. Pois, afinal, foi através dela que tive sucesso e vejo, como dizes na tua carta, que nos teus dias todos conhecem a minha obra ou pelo menos já ouviram falar nela. Poder dar a conhecer o meu trabalho, a História de Portugal, é simplesmente honroso.
És uma menina muito inteligente e culta que demonstra conhecimento de todas as minhas viagens, de toda a minha vida. Na tua carta, falas na minha viagem à Índia, à Europa e à minha passagem por Lisboa, Cascais e até Coimbra. Sim, foi em Coimbra que eu estudei e aprendi muitas coisas e tive a oportunidade de aprofundar a minha cultura. Todas as viagens que fiz enriqueceram-me tanto! Contudo, foi claramente graças aos meus estudos, em Coimbra, que tive a oportunidade de ler maravilhosos livros escritos por maravilhosos escritores, nomeadamente Virgílio, Homero, Horácio e muitos mais, que contribuíram imenso para que eu pudesse escrever Os Lusíadas. Desde pequeno que me habituei a ver estátuas de heróis por vários lados e, pelo que dizes na tua carta, eu próprio me tornei um herói e fizeram uma estátua a honrar-me. Que maravilha!
Tive também a oportunidade de conhecer um grande homem, o Mestre Gil Vicente. Ainda me lembro de assistir a algumas das suas peças de teatro que me marcaram tais como Auto da Índia e Auto da Fama. Duas peças únicas que me encantaram.
Bem, a minha vida não conteve apenas episódios felizes, como sabes. Fui para a guerra e lá perdi o meu olho. E, desgraça atrás de desgraça, cometi uma loucura e fui preso. Tive a sorte de o senhor a quem atingi com a minha espada me desculpar e, saído da cadeia, parti para a Índia.
Conheci o Adamastor, em quem me revejo, uma criatura fantástica que trouxe muitos pesadelos a imensos marinheiros. Ao passar por África, comecei a estruturar a minha epopeia e, chegado à Índia, comecei a escrever a dedicatória ao rei D. Sebastião. Concluí a minha obra e fui para Lisboa com um único propósito: publicar os Lusíadas. Em 1572, o sonho concretizou-se. Os Lusíadas foram publicados.
E isto foi a minha vida, querida Leonor. Agradeço o amor que tens por mim, por tudo o que fui e sou. Ficarei à tua espera, aqui no Paraíso.
Com eterna amizade,
Luís de Camões

sábado, 14 de fevereiro de 2009

CARTAS DE AMOR





E voltamos a Fernando Pessoa.
Não é uma carta mas um poema sobre cartas de amor. Afinal, quem ainda não escreveu uma?

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

CARTAS DE AMOR - 6ª CARTA


Eis a carta "triste e definitiva" que a Andorinha Sinhá escreveu ao Gato Malhado onde lhe revela a impossibilidade de manterem o namoro porque "uma andorinha não pode jamais casar com um gato", apesar de terem passado momentos muito felizes.

Estas cartas foram escritas o ano passado, numa aula de Língua Portuguesa, pelos alunos do 8º ano, quando estudaram O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, de Jorge Amado. Era, aliás, uma das tarefas de um Webquest elaborado para análise da obra com recurso às novas tecnologias. Aqui ficam as duas melhores cartas.





Meu Amor:

Certo dia, encontrei-te e por ti me apaixonei.
Nunca vivi algo tão lindo como o amor que nos une. Parece que tudo é um sonho, um sonho lindo. Nunca pensei amar alguém desta maneira, muito menos apaixonar-me por alguém tão diferente de mim. Somos tão diferentes mas, ao mesmo tempo, tão iguais. Sabes? Sempre pensei ter o apoio dos meus pais para todas as minhas decisões, pois sempre me disseram que estariam do meu lado para tudo o que desse e viesse mas, infelizmente, isso não aconteceu com a nossa união. Ninguém acredita naquilo que sentimos e significamos um para o outro. Talvez porque é algo que apenas nós sentimos e jamais alguém o poderá ver. O amor, tal como todos os sentimentos, não se vê, unicamente sente-se.
Todos aqueles momentos que passámos juntos jamais poderão ser apagados da minha memória e muito menos do meu coração, pois amo-te do fundo do meu coração e a minha vida daqui para a frente não vai ser mais nada do que apenas solidão.
Só tu me fazes sorrir quando no fundo me apetece chorar. Tudo, um dia, tem de acabar e a nossa história de amor acaba aqui, não porque eu o queira mas, sim, porque a isso sou obrigada.
O sonho acabou e a dor ficou!!!
Amo-te de mais para poder viver sem ti…
Da tua e para sempre
Sinhá***

Joana Assunção e Helder Moreira, (quando frequentavam o 8ºCEF)


Querido Gato:
Estou a escrever-te porque, agora que não te posso ver, sinto saudades do tempo que passámos juntos, dos passeios que demos, das noitadas que passámos...
Como deves saber, vou-me casar com o Rouxinol mas não por vontade própria. Foi tudo ideia dos meus pais. Não nos vamos ver mais mas, acredita, vais estar sempre no meu coração. És muito importante para mim e isso ninguém vai mudar. Sabes que gosto muito de ti mas, por mais que queira, não posso contrariar os meus pais. Daqui a uns dias vai ser a festa, provavelmente não vais aparecer mas não te julgo por isso. Longe de ti, para mim, o céu não vai ter estrelas, o ar vai estar sempre cinzento. Odeio esta lei que proíbe o nosso amor. Isto nem é uma lei pois não está escrito em lado nenhum, esta sociedade é pior que sei lá o quê…
Vou sentir saudades tuas…
Assim me despeço.
Da sempre tua
Sinhá

Ines Oliveira e João Ricardo (quando frequentavam o 8ºA)


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

CARTAS DE AMOR - 5ª CARTA

A quinta carta é, no mínimo, original. Como as outras já publicadas, é uma carta de amor mas, desta vez, o amor não é por uma mulher ou por um homem. É por gatos. E quem a escreveu foi o pintor suiço Paul Klee, através de José Jorge Letria, no seu livro já aqui mencionado (ver mensagem do dia 4 de Fevereiro) Amados Gatos.

Queridos Nuggi, Fritzy e Bimbo:
Chegado ao fim da minha vida, dirijo-vos esta carta para vos dar conta da importância que tiveram no meu atribulado percurso como pintor.
Creio que não teria chegado onde cheguei como artista do meu tempo sem o vosso amor e a inspiração que nunca me regatearam.
Fiz questão de vos manter presentes em tudo quanto fiz, desde as cartas aos poemas, passando, naturalmente, pelos quadros em que tentei modestamente representar-vos.
Vocês acompanharam-me nas horas de sofrimento e de incerteza, de exílio e de privação, mas também naquelas que me deram a ilusão da felicidade. Primeiro, o meu querido Nuggi, cinzento e meigo, ainda nos anos da juventude; depois, Fritzy, tigrado, brincalhão e matreiro, a que também chamei Fripouille, nos tempos mais intensos da criação pictórica e também do reconhecimento artístico pelo público e pela crítica; por fim, Bimbo, branco e discreto, já nos anos da doença e da decadência física, sempre dedicado, sempre presente, sempre terno e atento.
Devo confessar que sempre vislumbrei em vós um toque do sagrado, porque não hesito em considerar-vos seres divinos, que eu não fui capaz de retratar com o talento merecido nas telas e nos desenhos em que vos tentei eternizar. Sim, é verdade que vos escrevi cartas, sobretudo a Bimbo, já no fim da vida, e que não tinha sossego nos meus telefonemas sempre que me diziam que algum de vocês estava doente ou andava fugido. Isso nunca foi uma fraqueza minha e sim uma das principais manifestações do amor que consegui partilhar com outros seres.
Ainda assim, alguns dos quadros de que mais gosto são precisamente aqueles em que vos reservei lugar, com títulos como O Gato e o Pássaro ou A Montanha do Gato Sagrado. Os gatos ajudaram também a fortalecer amizades com artistas e poetas que comungavam comigo esse amor e essa admiração irrenunciáveis. Foi o que aconteceu com Rainer Maria Rilke. Até isso eu vos fiquei a dever, tributo reservado a um pintor que tentou sempre estar à altura da vossa ternura e infinita capacidade de dádiva.
Agora que estou de partida, levo comigo a recordação do que vocês foram para mim e a convicção de que não teria sido o que fui, nem teria chegado onde cheguei, sem o vosso amparo e a vossa dedicação. No meu íntimo, sei que voltaremos a encontrar-nos, porque não pode acabar no perecível mundo material e terreno um amor como foi o nosso.
Eternamente vosso,

Paul Klee

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

CARTAS DE AMOR - 4ª CARTA

A quarta carta é de um autor do mundo da música: Wolfgang Amadeus Mozart, para a sua mulher Constanze.




Querida mulherzinha:


Tenho vários pedidos a fazer. Peço-te que: não estejas triste; olhes pela saúde e tenhas cuidado com as aragens primaveris; não saias sozinha - de preferência não saias de todo; tenhas
a certeza absoluta do meu amor. Até agora não te escrevi uma única carta sem ter diante de mim o teu querido retrato; peço-te para que a tua conduta seja cautelosa, não só para a tua honra e a minha, mas pelas aparências. Não te zangues por te pedir isto. Devias amar-me ainda mais por dar valor à tua honra, e, por último, peço-te que me envies mais pormenores nas tuas cartas. Gostaria muito de saber se o nosso cunhado Hofer nos visitou no dia da minha partida? Se os Langes aparecem de vez em quando? Se o retrato está adiantado? Que coisas tens feito? Tenho uma curiosidade natural por todas estas coisas.


in, Notícias magazine de 8 de fevereiro de 2009, pág.11/12

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

CARTAS DE AMOR - 3ª CARTA



Desta vez, a escolha recaiu sobre Eça de Queirós, através da sua personagem Fradique Mendes que escreveu cartas de amor a uma mulher chamada Clara.

Paris, Novembro
Meu amor:
Ainda há poucos instantes (dez instantes, dez minutos que tanto gastei num fiacre desolador desde a nossa Torre de Marfim) eu sentia o rumor do teu coração junto do meu, sem que nada os separasse senão uma pouca de argila mortal, em ti tão bela, em mim tão rude - e já estou tentando recontinuar ansiosamente, por meio deste papel inerte, esse inefável estar contigo que é hoje todo o fim da minha vida, a minha suprema e única vida. É que, longe da tua presença, cesso de viver, as coisas para mim cessam de ser - e fico como um morto jazendo no meio de um mundo morto. Apenas pois, me finda esse perfeito e curto momento de vida que me dás, só com pousar junto de mim e murmurar o meu nome - recomeço a aspirar desesperadamente para ti como para uma ressurreição!
Antes de te amar, antes de receber das mãos do meu Deus a minha Eva - que era eu, na verdade? Uma sombra flutuando entre sombras. Mas tu vieste, doce adorada, para me fazer sentir a minha realidade, e me permitir que eu bradasse também triunfalmente o meu - «Amo, logo existo!» E não foi só a minha realidade que me desvendaste - mas ainda a realidade de todo este universo, que me envolvia como um ininteligível e cinzento montão de aparências. Quando há dias, no terraço de Savran, ao anoitecer, te queixavas que eu contemplasse as estrelas estando tão perto dos teus olhos, e espreitasse o adormecer das colinas junto ao calor dos teus ombros - não sabias, nem eu te soube então explicar, que essa contemplação era ainda um modo novo de te adorar, porque realmente estava admirando nas coisas a beleza inesperada que tu sobre elas derramas por uma emanação que te é própria, e que, antes de viver a teu lado, nunca eu lhes percebera, como se não percebe a vermelhidão das rosas ou o verde tenro das relvas antes de nascer o Sol! Foste tu, minha bem-amada, que me alumiaste o mundo. No teu amor recebi a minha iniciação. Agora entendo, agora sei. E, como o antigo iniciado, posso afirmar: "Também fui a Elêusis; pela larga estrada pendurei muita flor que não era verdadeira, diante de muito altar que não era divino; mas a Elêusis cheguei, em Elêusis penetrei - e vi e sentia, verdade!...»

...

A carta continua nas páginas 202 a 206 do livro A correspondência de Fradique Mendes, Edições Livros do Brasil.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

CARTAS DE AMOR - 2ª CARTA

Hoje, a carta é de Simão para Teresa, as personagens principais do arrebatador romance de Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição.



Ao anoitecer, Simão, como estivesse sozinho escreveu uma longa carta, da qual extractamos os seguintes períodos:

«Considero-te perdida, Teresa. O sol de amanhã pode ser que eu o não veja. Tudo, em volta de mim, tem uma cor de morre. Parece que o frio da minha sepultura me está passando o sangue e os ossos.

Não posso ser o que tu querias que eu fosse. A minha paixão não se conforma com a desgraça. Eras a minha vida: tinha a certeza de que as contrariedades me não privavam de ti. Só o receio de perder-te me mata. O que me resta do passado é a coragem de ir buscar uma morte digna de mim e de ti. Se tens força para uma agonia lenta, eu não posso com ela.

Poderia viver com a paixão infeliz; mas este rancor sem vingança é um inferno. Não hei-de dar barata a vida, não. Ficarás sem mim, Teresa; mas não haverá aí um infame que te persiga depois da minha morte. Tenho ciúmes de todas as tuas horas. Hás-de pensar com muita saudade no teu esposo do Céu, e nunca tirarás de mim os olhos da tua alma para veres ao pé de ti o miserável que nos matou a realidade de tantas esperanças formosas.

Tu verás esta carta quando eu estiver num outro mundo, esperando as orações das tuas lágrimas. As orações! Admiro-me desta faísca de fé que me alumia nas minhas trevas!... Tu deras-me com o amor a religião, Teresa. Ainda creio; não se apaga a luz que é tua; mas a providência divina desamparou-me.

Lembra-te de mim. Vive, para explicares ao mundo, com a rua lealdade a uma sombra, a razão por que me atraíste a um abismo. Escutarás com glória a voz do mundo, dizendo que eras digna de mim.

À hora em que leres esta carta...»

página 96, colecção "Os Grandes Clássicos da Literatura Portuguesa", dirigida por Vasco Graça Moura, Planeta DeAgostini

Este livro pode ser lido na Biblioteca Virtual da Porto Editora. Foi adaptado ao cinema por Manoel de Oliveira e é, também, uma ópera em três actos de João Arroyo.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

SETE DIAS, SETE CARTAS DE AMOR - 1ª CARTA

Falta uma semana para o dia de S. Valentim. Até lá, vamos publicar cartas de amor de pessoas famosas. Começamos por Fernando Pessoa cujas cartas escritas a Ophélia Queiroz estão publicadas no livro Cartas de amor de Fernando Pessoa, das Edições Ática, 1978.
9.10.1929



Terrível Bébé:
Gosto das suas cartas, que são meiguinhas, e também gosto de si, que é meiguinha tambem. E é bonbom, e é vespa, e é mel, que é das abelhas e não das vespas, e tudo está certo, e o Bébé deve escrever-me sempre, mesmo que eu não escreva, que é sempre, e eu estou triste, e sou maluco, e ninguem gosta de mim, e tambem porque é que havia de gostar, e isso mesmo, e torna tudo ao principio, e parece-me que ainda lhe telephono hoje, e gostava de lhe dar um beijo na bocca, com exactidão e gulodice e comer-lhe a bocca e comer os beijinhos que tivesse lá escondidos e encostar-me ao seu hombro e escorregar para a ternura dos pombinhos, e pedir-lhe desculpa, e a desculpa ser a fingir, e tornar muitas vezes, e ponto final até recomeçar, e por que é que a Ophelinha gosta de um meliante e de um cevado e de um javardo e de um indivíduo com ventas de contador de gaz e expressão geral de não estar alli mas na pia da casa ao lado, e exactamente, e enfim, e vou acabar porque estou doido, e estive sempre, e é de nascença, que é como quem diz desde que nasci, e eu gostava que a Bébé fosse uma boneca minha, e eu fazia como uma creança, despia-a e o papel acaba aqui mesmo, e isto parece impossível ser escrito por um ente humano, mas é escripto por mim.


Fernando
(Página 155)

quarta-feira, 4 de junho de 2008

CARTAS AOS HERÓIS

Os bons exemplos devem ser seguidos incondicionalmente. Foi o que fizeram os alunos do 8ºA, numa aula de Português, tomando como bom exemplo o escritor JOSÉ JORGE LETRIA e o seu livro Cartas aos Heróis. Depois de analisadas algumas cartas deste livro, os alunos redigiram as suas próprias cartas endereçadas à personagem que mais os marcou ao longo das suas leituras. De salientar que, todos os 22 alunos da turma lêem. Uns mais, outros menos, mas todos correm para a BE à procura dos livros que vão sendo apresentados nas aulas pela professora ou por eles próprios. Aqui ficam as melhores cartas e as capas dos livros donde sairam as personagens.



A primeira carta é para um amigo saído do livro A ilha na rua dos pássaros, de Uri Orlev, Ambar
Meu querido amigo:
Desde há seis meses para cá que te admiro. Seis meses porquê? Porque há seis meses te conheci. Sim… Desde o primeiro dia que te conheci, admiro-te. Porquê? Agora és tu que te admiras? Porque mostras uma força que nunca conheci. És um rapaz da minha idade e que me mostra uma realidade cruel completamente diferente da minha. Eu nunca tive uma arma na mão, tu já mataste um homem. Julgar-te? Uma criança em plena segunda guerra mundial sem pai, sem mãe, sem amigos, sem casa, sem abrigo, com pessoas que deixaram de ser quem eram, com… Com quê? Com muitas pessoas que querem sobreviver sem olhar a meios, com um ratinho que é a sua única companhia… Com muito, muito medo mas, ao mesmo tempo, com muita, muita coragem; com uma vontade de sobreviver para esperar quem mais deseja… Essa criança não se julga!
No fundo, és um herói que me tocou, um herói que sobreviveu, um herói que ama a família. Um verdadeiro Herói!
Agradeço-te os momentos que passámos juntos e tudo o que me ensinaste.
Um abraço do teu amigo,

Diogo Moreira

A segunda carta é endereçada ao Pedro, do livro de Maria Teresa Maia Gonzalez, Pedro, olhos de águia, da Difel. 


Querido Pedro:
Soube o que se passou: o teu pai preso por desvio de dinheiro na empresa do teu tio; a tua mãe juntou-se a outro homem, um tal de Martins que tu e o teu irmão tratam por “Inútil”; o teu irmão Marco deixou de ver o teu pai desde que ele foi preso; os teus avós paternos nunca mais quiseram saber do filho que foi para a prisão… Enfim!… A tua vida virou do avesso. Admiro tudo o que fizeste para ajudar o teu pai. Foste o único que nunca lhe voltou as costas. Quando soubeste que ele estava quase a sair da prisão, fizeste tudo para arranjar dinheiro para ele poder recomeçar a sua vida. A tua coragem!
A tua família, os Castelo Branco com passado, fortuna, dignidade e honra (só os têm de nome), preferiu deixar de lado o que aconteceu em vez de enfrentar a realidade. Nesta família, a única pessoa com honra e dignidade és tu. Tu, apenas com quinze anos, sobrecarregaste tudo nos teus ombros. És um herói.
A carta que escreveste à tua avó foi bem escrita. Adorei, principalmente a parte em que disseste: “quanto aos avós, se tiverem um pingo de vergonha na cara, em vez de aparecerem, dêem uma volta ao cérebro e vejam se descobrem o que poderão (e deverão) fazer para não continuarem a ser completamente inúteis em nome dessa tal honra que apregoam.”
Gostava de ser como tu. Ter a tua força, coragem, generosidade.
Todo o teu ser me fez pensar. Mudou algo em mim. Acho que estou mais forte. Ensinaste-me a não desistir. A lutar por tudo aquilo que quero. Tenho muito a agradecer-te. Depois de ter falado contigo, não consegui ser a mesma. Sinto-me mais livre. Parece que não existe mais ninguém, só eu. Vagueio por todo o lado, ninguém me impede. Não quero saber das críticas dos outros. Já não sou a rapariga de quem os outros podiam falar e ela ficava presa ao que eles diziam. Isso acabou. Sou livre. Obrigada.
Beijos

Sandra Santos

segunda-feira, 31 de março de 2008

A PROPÓSITO DO CONTO "SAGA"

Durante o 2º período, os alunos de 8º ano estudaram o conto "Saga" inserido no livro Histórias da Terra e do Mar, de Sophia de Mello Breyner Andresen. Os alunos do 8º A fizeram óptimos trabalhos em power point (cada grupo tinha um questionário diferente para resolver e trabalhar) e redigiram as hipotéticas cartas que Hans escreveu ao pai. Aqui ficam algumas dessas cartas.

Carta nº1, por Luís, Mónica, Sandra, Vera Mónica

Cidade desconhecida, séc. XVIII
Querido pai, querida mãe:
É com os mais sinceros sentimentos de mágoa, tristeza e ardor que vos peço perdão pela minha fuga inesperada. A minha fixação pelo mar foi mais forte que tudo, levando–me a contrariar a vossa vontade. Apesar do que aconteceu aos meus tios, o mar apoderou-se cada vez mais de mim. É uma razão inexplicável, mas espero que venham a compreendê-la.
Conheci um novo mundo. Uma nova família acolheu-me, possibilitou-me estudos, deu-me tudo de bom.
Trabalho em armazéns e barcos, o que me ajudará, em breve, a realizar o meu sonho: ser capitão de um navio. Encontro-me numa cidade que não conheço onde tudo é inigualavelmente diferente e belo. Prometo-vos que se me receberem um dia, voltarei ao comando de um grande navio.
Com saudade,
Hans

Carta nº2, por Juliana, Rita, Vera Sofia
25 de Junho de 1812
Queridos pais:
Estou cheio de saudades vossas e do mar de Vig. Todas as tempestades a que assisti e as que vi formar perseguem-me nos meus sonhos e a imagem do pai também não me sai da cabeça quer seja durante o dia ou de noite.
Para escrever esta carta, vim-me deitar na areia com as ondas a cumprimentarem-me na ponta dos pés. Então, reparei que estavam dois búzios poisados em cima de uma rocha. Gostaria que estivessem aqui comigo para verem a beleza destes búzios rosados, brancos e semitranslúcidos. Nesta minha aventura manobrei velas, descarreguei fardos e dirigi o embarque de mercadorias. Naveguei pelo mar fora com temporais mas também na imensidão azul das calmarias. Passei e caminhei por enormes praias brancas. E também negociei nos portos e nas fronteiras.
Pai, estou a realizar o meu sonho de ser marinheiro e estou muito feliz e gostaria que o pai e a mãe também ficassem felizes por mim. Desculpe-me por ter fugido mas foi o pai que me obrigou a tomar esta decisão.
Amo-vos do fundo do meu coração e espero um dia voltar a Vig.
Hans

Carta nº7, por Ana Raquel, Diogo Moreira, João Xavier
Querido pai:
Já sei da tragédia que abalou a tua casa. Vou sentir muito a falta da mãe. Era um doce de pessoa e todos nós a amávamos. Mas, esteja onde estiver, estará sempre nas nossas memórias e no nosso coração.
Espero que passes bem esta fase da tua vida. Estou muito preocupado contigo. Apesar de tudo, és meu pai, um pai que sempre amei e nunca esqueci. És uma pessoa muito importante na minha vida.
Mais uma vez peço que me recebas em Vig, a ilha que me viu nascer e me viu partir como um cobarde. Peço desculpa... Gostava de passar estes próximos tempos contigo, aí, em Vig. O tempo que nos separa é enorme mas nunca é demasiado tarde para ser compensado e bem aproveitado. Espero que esta carta faça mudar a tua opinião em relação a mim. Estarás sempre no meu coração, tanto nos bons como nos maus momentos.
Espero que compreendas que tudo foi um sonho de adolescente que acabou por se concretizar. Foi pena que tivesse perdido uma peça tão importante da vida como é a família.
Adeus...Com enorme desejo de matar em breve uma eterna saudade...

Hans

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