quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

LADINO


"Ladino" é o título de um dos contos do livro Bichos, de Miguel Torga e o nome da personagem principal deste conto.


Cada uma das histórias tem como personagem principal um animal, em luta com os elementos da natureza, Deus ou o Homem. As personagens são bichos, mas sentem e agem como se fossem humanos.

Ladino é um conto de análise psicológica. Através da personificação, o autor pretende criticar os que têm as mesmas características desta personagem, cujo nome resume toda a sua maneira de ser: Ladino significa astuto, manhoso, sabido. Apesar de ter sido escrito há muito anos, o conto mantém toda a actualidade pois oportunistas, como o Ladino, é o que não falta na sociedade actual.
RESUMO:
Ladino é um pardal finório que vive alegremente, sem preocupações. Em pequeno, manteve-se no ninho, onde ficava todo o dia a dormitar, até ser “matulão, homem feito” e era a mãe que o alimentava pelo que não precisava de ir à luta; em adulto vive com muitas cautelas para que nada de mal lhe aconteça. Egoísta, só pensa em si e no seu bem-estar; vê os outros a passar fome mas ele não se incomoda com isso e sabe como se alimentar, mesmo em tempo de crise. Hipócrita, dá lições de moral aos outros mas não as aplica a si mesmo. Cínico, faz-se desentendido quando a conversa ñão lhe agrada.
VOCABULÁRIO:
Em toda a sua obra, Miguel Torga mantém uma forte ligação à terra em que nasceu, Trás-os-Montes e isso revela-se, tambem no vocabulário que utiliza.
Para ajudar a compreender melhor o conto, aqui ficam os sinónimos de algumas palavras mais difíceis por pertencerem a um nível popular:

  • dar o lampo – morrer
  • folestrias – habilidades, brincadeiras
  • pisco – a abrir e a fechar
  • repelão – impulso violento
  • lambões – lambuzões
  • matulagem - vadiagem
  • meda – montão de molhos de cereais
  • esbagoava – tirava os bagos
  • arrombadinho – estragado
  • pejo - vergonha
  • painço – capim, erva para forragem
  • arrozada – cozinhado à base de arroz
  • fito – jogo popular
  • grainha – semente de frutos
NOTA:
Neste site, pode-se ler um belíssimo texto de Miguel Torga onde ele descreve poeticamente a região onde nasceu, Trás-os-Montes.

FREI GENEBRO

"Frei Genebro" é o título de um conto de Eça de Queirós, incluído no livro Contos, e o nome da personagem principal.
Este frade era um amigo e discípulo de S. Francisco de Assis e a sua vida resumia-se a orações e penitências, com o objectivo de conseguir a purificação da alma, logo, a santidade.

Um dia, Frei Genebro foi visitar o irmão Egídio que se encontrava gravemente doente mas tinha fome e desejava comer porco assado. Frei Genebro quis satisfazer o último desejo do amigo e, para isso, cortou uma perna a um bacorinho deixando-o a agonizar numa poça de sangue.

Frei Egídio morreu pouco depois e frei Genebro partiu para pregar o Evangelho e fazer o bem.

Um dia avistou uma mão luminosa, a mão de Deus. Desfez-se do pouco que tinha e morreu num curral. Um anjo apoderou-se da sua alma, levando-a para uma região entre o purgatório e o paraíso. No entanto, o prato das más acções começou a descer, por causa do porco que frei Genebro mutilara para atender ao último desejo de um amigo. E foi este inocente acto que o fez cair no purgatório.
No início do julgamento, o desnível entre os dois pratos da balança da justiça divina é muito sigificativo. No entanto, o enorme peso das boas acções rapidamente se tornou leve face a um gesto aparentemente sem significado: o porco que ficou mutilado pesa muito mais do que toda a vida de humildade, penitência e dádiva.


(clicar na imagem para ampliar)


MORAL DA HISTÓRIA:
Não é a santidade que leva as pessoas ao paraíso e os gestos mais insignificantes podem ser os mais graves.




NOTA 1:
O conto e alguns dados biográficos do autor podem ser lidos aqui.

NOTA 2:
Este e outros contos de Eça de Queirós foram adaptados para os mais novos, através de uma linguagem mais simples e actualizada, por Luísa Ducla Soares, em Seis contos de Eça de Queirós, Terramar.

CONCURSO NACIONAL DE LEITURA - 1ªFASE




Está a decorrer a quarta edição do Concurso Nacional de Leitura promovido pelo PNL. Para a primeira fase, a nível das escolas, a BE e os professores de Língua Portuguesa da Escola EB 2,3 de Arrifana seleccionaram dois contos: "Ladino", um conto incluído no livro Bichos de Miguel Torga e "Frei Genebro", um conto incluído no livro Contos de Eça de Queirós.


A prova vai decorrer no dia 8 de Janeiro e nela vão participar setenta e seis alunos do 7º ano ao 9º.




Ler o REGULAMENTO.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

POEMA DE NATAL


CONTO DA SEMANA


A Batalha de Natal

— Só mais seis dias — disse Neli.
Enquanto a filha tentava assobiar Noite Feliz, a mãe repetiu, pensativa, numa voz que não soava alegre:
— Ainda seis dias.
Após uma curta pausa, prosseguiu, suspirando:
— Se tudo já tivesse passado!
Com o assobio suspenso no ar, Neli olhou para a mãe com ar estupefacto:
— Não estás contente?
— Claro que sim, mas já estou pelos cabelos com esta agitação toda!
Como Neli não tinha aulas à tarde, foi patinar com uma amiga. Ao cair da noite, dirigiu-se ao supermercado onde a mãe trabalhava. Havia tanto movimento que o lugar mais parecia uma colmeia. A mãe estava sentada numa cadeira giratória, diante de uma das seis caixas registadoras. Os produtos chegavam-lhe num tapete rolante. Enquanto a mão direita marcava os números no teclado, a mão esquerda rodava as embalagens para que a máquina pudesse ler os códigos. Finda a operação, os produtos eram colocados, um a um, no carrinho de compras. Quando acabava de marcar tudo, a mão direita carregava na tecla do total e rasgava o talão, enquanto a esquerda afastava o carro cheio e puxava o próximo, vazio, para junto dela.
— Que bem fazes isso — dissera-lhe Neli uma vez. — Eu faria tudo devagar e, ainda por cima, metade saía mal.
— Ora — dissera a mãe a rir. — É uma questão de treino. Quando comecei, também não era assim tão despachada. Não encontrava a etiqueta com o preço e, muitas vezes, carregava nas teclas erradas. Como tinham de esperar, as pessoas resmungavam. Agora já quase consigo fazer isto automaticamente.
— Como um robô! — Neli riu-se.
E se tivesse um robô como mãe? Nunca teria dores de cabeça, nem à noite estaria tão cansada. Mas um robô não tem coração e, por isso, Neli preferia a mãe tal como era, mesmo quando, em certas noites, quase nem conseguia falar de tão cansada!
Só mais quatro dias.
Só mais três.
As filas nas caixas eram cada vez mais longas. As pessoas abasteciam-se de comida como se o Natal durasse meio ano. Com um ruído sibilante, as portas automáticas abriam e fechavam, abriam e fechavam. A mãe sentia nas costas a corrente de ar e os cartões pendurados no tecto balançavam de um lado para o outro.
Um sino de Natal, por cima da cabeça da mãe, tinha escrito a vermelho: PROMOÇÃO: Bombons, 250 gr, a preço especial.
Perto dele balançava um anjo de papel com uma faixa nas mãos, como nas igrejas, mas onde não estava escrito Paz na terra aos homens de boa vontade, mas sim Fiambre para o Natal a 15,80€/kg.
Os altifalantes debitavam música de Natal:
Noite feliz…
Cabeça de anho
Noite feliz…
Descafeinado
Papel higiénico de três folhas
O Senhor…
Lenços com monograma
Mostarda
Nasceu em Belém…
A mãe suspirava e, com um movimento rápido, limpava o suor do lábio com as costas da mão. Os clientes, impacientes, esperavam, apoiando-se ora numa, ora na outra perna. De olhar ausente, nem olhavam para a senhora da caixa, pensando apenas no regresso a casa com os sacos pesados e o eléctrico cheio.
Ufa!
Só mais três dias, e acabaria tudo.
— Vou fazer um jantar como o do ano passado — disse a mãe, à noite, virando-se para Neli. — Patê em folhas de alface, porco assado, batatas fritas, feijão e, para sobremesa, creme de chocolate de lata com peras.
No dia 24 de Dezembro, a loja só estava aberta até às quatro horas da tarde. Em seguida, os empregados podiam comprar, com um desconto de 15%, os produtos que tinham sobrado. A mãe de Neli achava que valia a pena e, por isso, tinha guardado as compras maiores para essa altura: uma pasta escolar para Neli, uma boneca, lápis de cor, um anoraque para o pai, e a comida para a ceia de Natal.
Na sala do pessoal, houve um lanche para todos os empregados.
— A batalha de Natal foi mais uma vez vencida — alegrou-se o chefe do pessoal, que proferiu mais umas palavras elogiosas.
Depois foram servidos pãezinhos com fiambre e um copo de vinho a cada um.
Após o lanche, a mãe de Neli deixou ficar os gordos sacos de compras esquecidos na sala do pessoal. Só reparou quando já estava na paragem do autocarro. “As minhas prendas! Todas aquelas coisas boas para a ceia!”, pensou assustada.
Mas a loja já estava fechada e, antes do dia 27, não voltava a abrir. Chegou a casa de mãos vazias.
Nessa noite, apesar de tudo, festejaram o Natal. O pai acendeu as velas da árvore de Natal e Neli recitou um poema. Só se lembrou das duas primeiras estrofes e depois encravou, mas a mãe achou-o muito bonito e o pai nem reparou que ainda continuava. O jantar foi mais curto do que o planeado. Por sorte, a mãe já tinha comprado o assado e havia batatas em casa, mas não houve entrada nem sobremesa. Trincaram nozes e comeram maçãs.
— Assim, não fico com o estômago tão pesado como no ano passado — disse o pai. — Comidas pesadas não me caem bem.
Também não havia muito que desembrulhar.
Por isso, sobrou tempo. Muito tempo.
Neli foi buscar o jogo “Memory” que recebera no Natal anterior. Durante o ano inteiro, esperara, em vão, todos os domingos, que alguém tivesse tempo para jogar com ela.
Agora, os pais tinham tempo.
O pai nunca tinha jogado “Memory”. Ao fim de algum tempo, Neli já tinha encontrado sete pares de cartas, a mãe três, e o pai, que geralmente queria ganhar sempre, procurava constantemente no sítio errado.
Tentava alguns truques, pondo, sem ninguém dar conta, migalhinhas de pão em cima das cartas que tinha decorado, ou pousava as mãos na mesa, de forma a que o polegar indicasse a direcção em que estava uma determinada carta. Mas Neli descobriu-lhe a jogada. Jogaram mais duas ou três vezes e o pai não se zangou por perder sempre. Depois, ainda jogaram o jogo do assalto.
À meia-noite, o pai apagou a luz e ficaram a olhar pela janela. A neve reflectia uma luz clara e ouviam-se os sinos a tocar.
— A esta hora, há quase dois mil anos, nasceu Jesus — disse a mãe, e Neli reparou que, afinal, a mãe estava contente por ser Natal.
Ao ir para a cama, Neli disse:
— Este foi um Natal muito bonito.
— A sério? — perguntou a mãe, admirada. — Mas não houve ceia nem prendas quase nenhumas.
— Mas houve muito tempo — respondeu Neli.


Jutta Modler (org.)
Brücken Bauen
Wien, Herder, 1987
(Tradução e adaptação)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

RECITAL "O NATAL EM VÁRIAS LÍNGUAS"

Para integrar e dar relevo aos alunos estrangeiros que puderam mostrar as suas línguas, a BE e os professores do Departamento A organizaram um pequeno mas significativo recital de poesia e música que decorreu, hoje, para terminar o primeiro período de aulas.








quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

TERTÚLIA NA BE

Um momento de rara beleza aconteceu, hoje, na BE. O momento durou duas horas mas poderia prolongar-se mais tempo pois motivo de conversa não faltava. Quando o tema é livros e leituras, podemos estar horas e horas a falar sobre eles, sem cansar. E grande foi o entusiasmo dos vinte e dois alunos participantes na tertúlia. Foram convidados os alunos inscritos nas Olimpíadas da Leitura (do 5º ao 9º ano) mas nem todos puderam ou quiseram estar presentes. Os que compareceram falaram das suas leituras, dos seus livros preferidos e, sobretudo, das emoções que os livros lhes proporcionam. A sessão começou com um filme do Youtube onde alunos brasileiros dão o seu testemunho sobre o prazer e o benefício da leitura. Seguidamente, a Carlota, do 9ºA tomou a palavra para dar início à conversa. E foi lindo porque aproveitou a sua experiência de leitura para aconselhar os colegas mais novos a fazerem como ela: ler. “Ler é fantástico. Faço filmes na minha cabeça e dá-me vontade de ler mais e mais. Toda a gente devia ter acesso aos livros e é pena que muitos alunos não aproveitem o que têm nesta biblioteca. Leiam porque vão aprender mais.”
A Fabiana, do 8ºA, apresentou a colecção “Os Primos” e um ppt com fotos da sua visita a Londres com a autora, Mafalda Moutinho, graças a um concurso que ganhou. As fotos foram tiradas nos locais onde decorre a acção do livro O segredo de Craven Street.
O Vasco, do 7ºC, apresentou um livro de aventuras vividas no meio científico porque é um assunto que o fascina e está a preparar um trabalho para concorrer ao Ler+ Ciência.
O Jorge, do 5ºA, recém-chegado da Alemanha e que ainda não domina muito bem a língua portuguesa, apresentou O Planeta Branco e diz que adora ler e que a leitura está a ajudá-lo a conhecer melhor a nossa língua.
O Miguel, do 6ºB, apresentou Do cinzento ao azul celeste e foi o pretexto para uma grande conversa sobre a liberdade e a falta dela, antes do 25 de Abril.
A Cátia, do 6º A, falou do seu livro preferido, Nem pato nem cisne, o que deu origem a que se falasse da colecção Era uma vez… outra vez, de Ana Saldanha e dos temas que aborda.
A Sara Glória, do 8ºB, falou do Diário de Anne Frank e deixou o grupo suspenso. Quando a Carlota e a Catarina falaram da sua visita ao campo de concentração de Auschwitz, no âmbito do projecto Comenius, ficou na BE um silêncio cheio de arrepios.
O Vitor não gosta da escola mas gosta de ler e, sobretudo, adora jogos de computador. O seu tema preferido é a guerra (devido aos jogos). Graças à conversa sobre a segunda guerra mundial, requisitou O rapaz do pijama às riscas.
E estes foram apenas alguns exemplos. Houve mais intervenções, mais opiniões apaixonadas. E sobretudo, um pedido para que a tertúlia se repita. Está prevista, no Plano Anual de Actividades, uma por período, mas os alunos presentes querem mais. A ver vamos!








AUDIÇÃO DE NATAL NA BE




Graças ao projecto/parceria Escola EB 2,3 de Arrifana e Conservatório de Música de Fornos há uma turma de Música, de 5º ano, que, hoje, deu a sua primeira audição. O espaço escolhido foi a BE onde os alunos e professores actuaram para os pais que acorreram à escola, numa manhã de trabalho. Violino, contabaixo, oboé, trompete, flauta transversal, violoncelo, e vozes, foram os instrumentos usados para um momento musical de grande beleza.


POESIA DE NATAL

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

POESIA DE NATAL


O poema de hoje é audiovisual. Noël ensemble, Natal em conjunto, a melhor forma de festejar o Natal: todos juntos, em família e entre amigos.

Noël ensemble
Enviado por cvera. - Ver os últimos vídeos de musica em destaque

RECITAL "O NATAL EM VÁRIAS LÍNGUAS"


É já no próximo dia 18, último dia de aulas do primeiro período que vai decorrer mais um recital de poesia e música na BE. Desta vez, os actores são os alunos estrangeiros da escola que vêm mostrar o Natal em alemão, chinês, ucraniano, romeno, espanhol e francês. A língua inglesa também estará presente (mas falada por alunos portugueses) e, como não podia deixar de ser, o Natal bem português na poesia e na música.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

POEMA DE NATAL

Sidónio Muralha, poeta português, foi um contador de histórias no Brasil onde se fixou , em 1962.


DECORAÇÃO DE NATAL NA ESCOLA

A Escola viveu o Natal durante quinze anos. Muitos trabalhos foram feitos pelos alunos e professores de Educação Tecnológica EV e EVT para embelezar os vários espaços. E que bonita ela ficou! Depois de recolhidas as fotos pelo professor Henrique Reis que fez o PPT, esses trabalhos vão ser, agora apresentados. Quem sabe, não serão inspiradores para outros trabalhos?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

HISTÓRIA DA SEMANA

É mais uma reflexão sobre o que é e o que não deveria ser o NATAL. O texto foi escrito pela Sara Oliveira Santos, em Dezembro de 2008, quando era aluna do 8ºD.


A MAGIA DO NATAL!



O Natal é mágico!
Mágico pela magia dos sonhos das crianças e de todas as pessoas com a capacidade de sonhar… Mágico pelos sorrisos diante das prendas… Mágico pela magia do amor, do carinho, da paz, da alegria e da harmonia que enche os corações de cada um de nós, neste dia…
Natal! Uma palavra tão pequena mas de um significado tão grande…Natal é tempo de amar, de reconciliar, de ajudar e acarinhar, de sermos solidários e ajudar quem mais precisa. Porque o Natal não é só um homem de fato vermelho e barbas brancas com um grande saco às costas a entrar pela chaminé; nem só uma mesa cheia de comida e bolos, uma cidade iluminada, uma árvore enfeitada; não é só festa, luzes e alegria. Natal é um sorriso, é um pão para uma criança pobre, é um cobertor para um sem-abrigo, é uma estrela no céu nublado, é uma folha numa árvore em pleno Inverno. Natal é poder sonhar por um Mundo melhor, sem guerras nem maldades, sem ódio nem egoísmo, sem pobreza nem desigualdade, sem invejas nem preconceitos… Natal é podermos ser todos iguais. É poder dizer “Eu sou Feliz!”, porque o Natal é tempo de sermos felizes!
É assim que devia ser… Mas não é assim que é… Hoje em dia o Natal é apenas um negócio, é dar e receber prendas em vez de amor e carinho, é apenas mais uma forma de gastar dinheiro… O Natal não passa de um luxo. É triste mas, pelo menos na maioria dos casos, é assim… Não paramos para pensar que existem milhões de pessoas a passar fome e nós, de mesa cheia e muitas vezes mal contentes, não paramos para pensar que existem milhões de crianças que não recebem sequer um simples beijo… Somos egoístas. Estamos sempre a reclamar com aquilo que temos e muitas crianças davam tudo para terem um pouquinho daquilo que temos… E é nestas pessoas que devemos pensar que as devemos ajudar a concretizar um sonho: o de serem FELIZES… O Natal é isso: é estarmos em família e ajudarmos quem mais precisa…
Embora, na realidade, não seja assim, é bom poder sonhar que é, e que pelo menos neste dia todos somos felizes!

POEMA DE NATAL

Hoje o poema é de Adolfo Simões Muller, escritor, poeta e jornalista, tendo-se destacado na literatura infantil. É autor de uma adaptação de Os Lusíadas de Luís de Camões.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

POEMA DE NATAL

O poema de hoje é de uma professora da escola, Anabela Ferreira, preocupada com os problemas ambientais que, aliás, deveriam ser preocupação de todos.

POEMA DE NATAL

O melhor poema é o que sai da inocência de uma criança. Sobreuto quando essa criança, no Natal, apenas pede uma caixa de fósforos para se aquecer ou... o céu!...
Também o fez "A menina dos fósforos" de Hans Christian Andersen, uma leitura recomendada. Quem não tem o livro, pode lê-lo aqui.



quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

POEMA DE NATAL

Hoje, o poema é de David Mourão-Ferreira, escritor e professor universitário português, natural de Lisboa. É um dos grandes poetas contemporâneos do século XX.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

PORTO PORTO


Foi, hoje, na FNAC do Norteshopping. João Pedro Mésseder e Helena Veloso apresentaram Porto Porto, um livro de poemas para crianças, jovens e menos jovens sobre esta cidade que o autor considera uma cidade literária que a pintura também imortaliza.
O título foi "roubado" a Sérgio Godinho cuja canção, um apelo à liberdade, serviu de epígrafe:
“Dizem que os pintos não voam
este voou sobre as casas
os que não voam não querem
ou lhes cortaram as asas
Porto Porto
Porto Porto”
Na contracapa do livro lê-se: "Era uma vez uma cidade. Como todas, também esta tem uma longa história. E tem a luz, as sombras, as cores, os brilhos que lhe são próprios." E é essa história que a obra reflecte. O Porto antigo - a Ribeira, as pontes, o eléctrico - mas também os lugares menos antigos - a avenida da Boavista e a Casa da Música, esse “diamante vindo do céu”. As casas, o parque, o coreto de S. Lázaro e as pessoas que habitam lugares típicos também lá têm o seu lugar. Como a cidade se tornou uma cidade multicultural, os poemas “Sem nome” e “Canção conversada” são dedicados a quem fez do Porto a sua pátria. O autor acrescentou, ainda, que a ilustração fala por si: a pequena fada que sobrevoa a cidade fruindo os seus encantos e aparece ao logo do livro dá-lhe unidade.
Por sua vez, a ilustradora Helena Veloso transmitiu as suas sensações face à ilustração dos poemas que retrata a atmosfera do Porto e o seu ar monocromático. A personagem fada que sobrevoa a cidade é um ponto de cor e de vivacidade e a sua forma ovalada simboliza o nascimento.
Para fazer estas ilustrações, a artista teve de fazer trabalho de campo: partiu de visita à cidade, explorou os seus recantos, fotografou.
Texto e imagem deram origem à obra de arte que é Porto Porto.

CONTO DA SEMANA


A rua tinha luzes de muitas cores que, encavalitadas nos postes, faziam desenhos de Natal. E dançavam ao som duma música cheia de sonoridades leves como algodão. De vez em quando passava um automóvel apressado. Apesar disto, ali da montra onde se encontravam, tudo era frio e distante. Eram duas bonecas que ninguém quis comprar.
— Este é o nosso primeiro Natal…
— E, decerto, o último. Se ninguém nos comprou, vamos ser retiradas da montra e arrumadas, ou entregues à caridade, ou destruídas.
— Assim será, com certeza. A nossa vida depende das leis do mercado.
E foram conversando para passar o tempo, ora filosofando sobre a sua efémera existência, a sua matéria breve, ora imaginando como seria o Natal das pessoas, que só conheciam de ver passar na rua, ou da loja, quando entravam para comprar bonecas.
— Esta é belíssima, elegante, tem um belo vestido e uma cintura fina.
— Esta tem uma expressão de felicidade, um olhar doce.
— Aquela, de cabelos louros, tem no rosto o sol abrasador do Verão.
Mesmo para uma boneca, era triste ficar ali na noite de Natal a olhar a solidão da rua. Sobretudo quando imaginavam a alegria das outras bonecas que tinham sido vendidas: a emoção de sair de dentro dos embrulhos, de sentir todas as atenções, de receber um nome, de entrar na família fantástica das crianças.
Todas as pessoas deviam ter uma casa, porque ninguém passava na rua. Todos os meninos deviam ter brinquedos na noite de Natal, porque os brinquedos mais bonitos tinham sido vendidos. Em todo o mundo devia haver alegria e surpresa e magia naquela noite, porque era dessa forma que a imaginavam.
Dentro das casas, o ar estaria povoado de seres fantásticos, que se moviam como se não tivessem peso. Esvoaçavam como se fossem pequenos pássaros transparentes. E isto criava uma grande excitação entre as crianças. Elas próprias se sentiam tão leves que os seus movimentos eram como os movimentos dos astronautas: dançavam, elevavam-se, sorriam, tocavam-se, cantavam melodias afinadíssimas e finas como um fio de cristal. As bonecas entravam também nesta dança fantástica como se fossem pessoas de verdade. A árvore de Natal transformara-se numa enorme tília de grandes ramos. Havia baloiços pendurados nos ramos. Havia pequeninas casas suspensas nos ramos. As estrelas desciam e poisavam nos ramos. E todos aqueles seres – crianças, anjos, pássaros, estrelas e bonecas – percorriam os ramos, como se fossem caminhos, entravam nas casinhas, dançavam nos baloiços, agarravam-se à cauda das estrelas. Entre os ramos mais distantes construíam passadiços e imaginavam rios por onde às vezes desciam: bebericavam, tomavam um banho, atiravam salpicos de água uns aos outros.
Estavam assim imaginando, quando se aproximou da montra uma figura muitíssimo estranha: tinha umas roupas sujas e gastas, os cabelos sujos e desalinhados, a barba suja e por fazer e nos seus olhos havia fome, desolação e desprezo. Falava sozinho palavras imperceptíveis.
— Esta figura não deve ser de cá…
— Talvez tenha descido de outro planeta, um planeta onde não há Natal, nem casas, nem anjos, nem estrelas, nem amigos…
A rua continuava deserta e o homem continuava ali fitando a montra e falando desordenadamente. De nenhum lado surgia uma sombra, uma voz, um movimento, um pássaro branco, um anjo de tule, um caule de luz. Até a música de algodão pendurada nos postes se tinha já calado.
— Como deve ser triste a vida na terra, na cidade ou no planeta donde veio…
Nada no seu rosto fazia lembrar a alegria: nenhuma expressão, nenhum traço, nenhuma palavra.
De vez em quando estendia o braço, apontando não se sabia o quê, apontando por apontar; e o vento gelado da noite alinhava os seus cabelos na direcção do braço. E nada lá ao longe fazia lembrar a liberdade. Outras vezes ficava estático e imóvel, fitando o infinito. Parecia uma estátua feita do mais cruel abandono; parecia um tronco velho de uma árvore; parecia a coluna de um palácio abandonado. E nada na sua pose fazia lembrar a paz. Outras vezes ajoelhava-se fitando o chão, como se o chão fosse um enigma por decifrar, como se na pedra do chão estivesse gravado um vestígio de Deus; como se Deus se tivesse esquecido, por acaso, de uma marca, um indício, um grão de poeira, um cabelo que fosse.
— Há tempos ouvi falar aqui na loja de um país ou planeta onde as pessoas são desprezadas, onde lhes negam o pão e as obrigam a matar-se umas às outras. Os que as governam são maus e obrigam-nas a viver na rua como animais vadios.
O homem não tirava os olhos da montra como se estivesse a falar com as bonecas, mas utilizando uma linguagem que elas não entendiam. Poisou no chão umas sacas que trazia consigo e começou a esbracejar. Mas nenhum dos seus gestos fazia lembrar a justiça. Ora estava de pé, ora de cócoras, ora se sentava no passeio. Mas sempre desenhando a mesma veemência, a mesma impaciência.
— Talvez queira dizer-nos alguma coisa. Talvez pense que somos pessoas. Talvez procure em nós uma resposta para as suas perguntas.
— Talvez tenha pena de nós e ficasse ali a distrair a nossa solidão.
Passado muito tempo, adormeceu encostado à montra. Um cão que passava remexeu-lhe nas sacas e fugiu abocando alguma coisa que não puderam ver o que era. Depois veio outro cão e deitou-se ao calor dos seus pés. Assim ficaram ali pela noite dentro. Era quase de madrugada quando apareceu, não se sabe de onde, uma mulher igualmente desgrenhada, cambaleante e com os olhos cheios de amargura e abandono. Trazia nos braços algo que poderia ser uma criança. Deitou-se também, puxou um dos sacos para a cabeça a fazer de travesseiro e adormeceu.
— São estranhas estas figuras… Como é que no país ou no planeta lá onde moram não há Natal?
— Como devem ser infelizes as pessoas… Um planeta sem Natal devia ser extinto, devia explodir nos ares, ficar desfeito em poeira fina e disperso pela imensidão dos céus.
— Provavelmente foram expulsas e tiveram de caminhar dias e noites até encontrar este recanto.
— Tiveram sorte de não serem assaltadas pelo caminho, nem de morrerem de frio, de sede ou de fome.
— Talvez tenham uma resistência e uma energia maior do que a das pessoas que conhecemos.
— Talvez o seu corpo não sinta frio nem calor. Talvez não precisem de alimento, de carinho, de amizade.
— Pelo menos numa coisa são diferentes de nós, bonecas: precisam de dormir…
— Devem ser alimentados e encorajados durante o sono por um anjo ou outro ser invisível.
Por um tempo deixaram-se destas conjecturas e voltaram a pensar como seria o Natal dentro das casas. Agora todos estariam já a dormir, sonhando com os anjos, os pássaros transparentes, as estrelas; sonhando com um tal Jesus, que não sabiam muito bem quem era, mas devia ser tão maravilhoso que até lhe chamavam Salvador.
Estavam assim imaginando, quando surgiu um carro da polícia. Parou em frente à montra. De dentro saiu um homem com uma farda e deu um pontapé no cão, que ganiu e fugiu a coxear. Depois fez o mesmo ao homem e à mulher e obrigou-os a entrar no carro, o que fizeram ensonados e sem oferecer resistência.
— Sempre não devem ser de cá…
— Talvez as autoridades os tenham levado para analisar e estudar como é a vida no país ou planeta de onde vieram.
— Ah! Já sei porque vieram buscá-los. Não te lembras de ouvir falar do Presépio? Era um homem, uma mulher, uma criança e um animal. Decerto andavam à procura de um presépio raro, e encontraram este e levaram-no para um museu.
— O que é um museu?
— É uma casa muito grande cheia de coisas antigas, raras e valiosas onde também há pessoas com olhos, boca, ouvidos e mãos; mas não vêem, não falam, não ouvem, não cumprimentam ninguém. Chamam-se estátuas.
— E dentro dos museus também há Natal?…




Nuno Higino
A mais alta estrela – Sete histórias de Natal
CENATECA, Associação Teatro e Cultura, Marco de Canaveses, 2000

POEMA DE NATAL

Christmas
by John Betjeman



segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

POEMA DE NATAL

O poema de hoje é de Vitorino Nemésio, ficcionista, poeta, cronista, ensaísta, biógrafo, historiador da literatura e da cultura, jornalista, investigador, epistológrafo, filólogo e comunicador televisivo, para além de toda a actividade de docência. De origem açoriana, foi professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.


domingo, 6 de dezembro de 2009

POEMA DE NATAL

Este poema faz parte do conto "Lídia", incluido em A mais alta estrela – Sete histórias de Natal, Nuno Higino, CENATECA, Associação Teatro e Cultura, Marco de Canaveses, 2000


sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

POEMA DE NATAL

O Inverno está aí, as andorinhas partiram. A Natureza adormeceu e a paisagem pintou-se de neve. O Natal está a chegar.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

CONTO DA SEMANA

Para pensar e fazer silêncio.


O Silêncio e a Tranquilidade

Chama-se ao Advento o tempo do silêncio. Apesar disso, muitos são os que o vivem enquanto tempo de barulho e de agitação. As pessoas precipitam-se para as lojas a fim de fazer as compras de Natal. E, no entanto, o silêncio é necessário para que Deus possa vir até nós. Sem silêncio, não nos apercebemos da sua vinda, não o ouviremos bater à porta do nosso coração.
Em alemão, a noção de silêncio encontra-se ligada à de imobilidade. Para fazermos silêncio em nós, importa que paremos, que deixemos de correr de um lado para o outro, que deixemos de nos agitar e fiquemos sozinhos connosco. Só me encontrarei a mim próprio se me imobilizar. Deixarei então de viver no exterior a minha agitação; aperceber-me-ei dela dentro de mim. Só alcança o silêncio, a tranquilidade, aquele que sabe resistir à sua própria agitação. A língua alemã associa igualmente, num único vocábulo [Stille, Stillen], a tranquilidade e a amamentação do recém-nascido. Ao aleitar a criança que chora com fome, a mãe acalma-a. Da mesma forma, devo aquietar o choro interior da minha alma. Quando deixo de me agitar no exterior, o meu coração grita de fome; e grita de insatisfação. Sente necessidade de alimento e, por isso, devo consagrar-me maternalmente a ele, para que se apazigue. Ora, muitos são aqueles que têm medo de escutar o coração que grita de fome; preferem ignorá-lo, agitando-se sem cessar, sempre em rodopio. Mas o coração continua a gritar, não querendo que o ignorem, pois sente a necessidade de atenção, de alimento. “Apenas em Deus encontrarei o repouso para a minha alma”, diz um Salmo (62[61],1). Ainda hoje é cantado todas as quartas-feiras, à hora das completas*; e sinto-me sempre tocado por ele. Eu próprio não consigo acalmar o coração; quando ouço o seu grito, pressinto que ele sente fome de algo mais do que aquilo que lhe posso dar. É Deus quem ele deseja; só em Deus poderá repousar verdadeiramente. Tu que me lês, dá-te a ti próprio, durante o Advento, alguns momentos de silêncio e de tranquilidade que te permitam procurar Deus. E sempre que, no meio do silêncio, surgir em primeiro lugar o barulho interior, suporta-o muito simplesmente. Pára, permanece imóvel; oferece a Deus o teu coração que grita, para que ele apazigue a sua fome. É então
que o silêncio se tornará um bálsamo e nele poderás mergulhar a tua alma. Suportarás então um frente a frente com a tua própria verdade, poderás até saborear o facto de estares, muito simplesmente, contigo mesmo, diante de Deus. No silêncio, ninguém te exige nada; nele permaneces tal qual és, com toda a simplicidade.
Mas o silêncio não é apenas necessário durante o Advento, também o é no Natal. Para mim, celebrar a noite da Natividade implica que, após a celebração em comum, eu consagre três horas a meditar em solidão, escutando uma parte do Oratório * do Natal e prestando atenção ao silêncio. Pois sei que Deus só pode nascer em mim no silêncio.
No segundo domingo depois do Natal, cantamos no início da missa um trecho do Livro da Sabedoria: “No instante em que um silêncio reconfortante envolvia todas as coisas e em que a noite chegava ao meio da sua apressada caminhada / do alto dos céus, a Palavra toda–poderosa desceu do trono real” (Sabedoria, 18, 14-15). Deus só descerá ao meu coração quando nele se tiverem instalado o silêncio e a tranquilidade. É no seio do mais profundo silêncio e quando a palavra humana se tiver calado, que se dará o nascimento de Deus. Calando-me, não posso obrigar Deus a vir até mim; mas o silêncio é condição necessária para que me aperceba da sua presença em mim. Ao fazer silêncio, desço às minhas profundezas, e o caminho que me leva até lá passa pela obscuridade da minha noite, pela noite da minha angústia e da minha solidão. É então que deixo para trás o trono da realeza onde permaneço seguro de mim, e de onde determino e conduzo a minha vida. É então que mergulho até ao fundo da minha alma. Porque só aí Deus pode nascer em mim; é apenas nas profundezas do meu coração, onde já nenhum ruído exterior penetra, que Deus deseja tornar-se homem em mim.
Notas:

Anselm Grün
Curta Meditação sobre
as Festas de Natal
Mesmo para quem não é católico, mesmo para os agnósticos, este texto faz sentido: parar para ouvir o silêncio é cada vez mais uma urgência neste mundo vivido a um ritmo louco, alucinante, onde o ruído é rei e a falta de tempo é rainha.

NOVA RUBRICA: UM POEMA E UMA ESTÓRIA

Agora que entramos em Dezembro, o mês do Natal, convidamos os nossos leitores a ler poesia, à lareira, para aquecer a alma e esquecer o frio que faz lá fora.
Todos os dias, um poema de Natal; todas as semanas, uma estória.
O poema de hoje é de Luísa Ducla Soares.

 
Boas leituras.

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