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sábado, 13 de julho de 2013

OS MAIAS DE EÇA DE QUEIRÓS

O jornal Expresso começou,  hoje, a publicação do projeto "Eça Agora", "uma coleção de sete livros em que se celebra a obra do autor de Os Maias"
A coleção é grátis e inclui "aquele que é considerado o melhor romance português de sempre, mas também da sua continuação escrita por alguns dos melhores escritores da atualidade. José Luís Peixoto, José Eduardo Agualusa, Mário Zambujal, José Rentes de Carvalho, Gonçalo M. Tavares e Clara Ferreira Alves irão levar a narrativa de Os Maias até aos dias da fundação do Expresso, em 1973. A fechar este projeto, o Expresso oferece o livro Introdução à Leitura d'Os Maias, de Carlos Reis."

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

FREI GENEBRO

"Frei Genebro" é o título de um conto de Eça de Queirós, incluído no livro Contos, e o nome da personagem principal.
Este frade era um amigo e discípulo de S. Francisco de Assis e a sua vida resumia-se a orações e penitências, com o objectivo de conseguir a purificação da alma, logo, a santidade.

Um dia, Frei Genebro foi visitar o irmão Egídio que se encontrava gravemente doente mas tinha fome e desejava comer porco assado. Frei Genebro quis satisfazer o último desejo do amigo e, para isso, cortou uma perna a um bacorinho deixando-o a agonizar numa poça de sangue.

Frei Egídio morreu pouco depois e frei Genebro partiu para pregar o Evangelho e fazer o bem.

Um dia avistou uma mão luminosa, a mão de Deus. Desfez-se do pouco que tinha e morreu num curral. Um anjo apoderou-se da sua alma, levando-a para uma região entre o purgatório e o paraíso. No entanto, o prato das más acções começou a descer, por causa do porco que frei Genebro mutilara para atender ao último desejo de um amigo. E foi este inocente acto que o fez cair no purgatório.
No início do julgamento, o desnível entre os dois pratos da balança da justiça divina é muito sigificativo. No entanto, o enorme peso das boas acções rapidamente se tornou leve face a um gesto aparentemente sem significado: o porco que ficou mutilado pesa muito mais do que toda a vida de humildade, penitência e dádiva.


(clicar na imagem para ampliar)


MORAL DA HISTÓRIA:
Não é a santidade que leva as pessoas ao paraíso e os gestos mais insignificantes podem ser os mais graves.




NOTA 1:
O conto e alguns dados biográficos do autor podem ser lidos aqui.

NOTA 2:
Este e outros contos de Eça de Queirós foram adaptados para os mais novos, através de uma linguagem mais simples e actualizada, por Luísa Ducla Soares, em Seis contos de Eça de Queirós, Terramar.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

CARTAS DE AMOR - 3ª CARTA



Desta vez, a escolha recaiu sobre Eça de Queirós, através da sua personagem Fradique Mendes que escreveu cartas de amor a uma mulher chamada Clara.

Paris, Novembro
Meu amor:
Ainda há poucos instantes (dez instantes, dez minutos que tanto gastei num fiacre desolador desde a nossa Torre de Marfim) eu sentia o rumor do teu coração junto do meu, sem que nada os separasse senão uma pouca de argila mortal, em ti tão bela, em mim tão rude - e já estou tentando recontinuar ansiosamente, por meio deste papel inerte, esse inefável estar contigo que é hoje todo o fim da minha vida, a minha suprema e única vida. É que, longe da tua presença, cesso de viver, as coisas para mim cessam de ser - e fico como um morto jazendo no meio de um mundo morto. Apenas pois, me finda esse perfeito e curto momento de vida que me dás, só com pousar junto de mim e murmurar o meu nome - recomeço a aspirar desesperadamente para ti como para uma ressurreição!
Antes de te amar, antes de receber das mãos do meu Deus a minha Eva - que era eu, na verdade? Uma sombra flutuando entre sombras. Mas tu vieste, doce adorada, para me fazer sentir a minha realidade, e me permitir que eu bradasse também triunfalmente o meu - «Amo, logo existo!» E não foi só a minha realidade que me desvendaste - mas ainda a realidade de todo este universo, que me envolvia como um ininteligível e cinzento montão de aparências. Quando há dias, no terraço de Savran, ao anoitecer, te queixavas que eu contemplasse as estrelas estando tão perto dos teus olhos, e espreitasse o adormecer das colinas junto ao calor dos teus ombros - não sabias, nem eu te soube então explicar, que essa contemplação era ainda um modo novo de te adorar, porque realmente estava admirando nas coisas a beleza inesperada que tu sobre elas derramas por uma emanação que te é própria, e que, antes de viver a teu lado, nunca eu lhes percebera, como se não percebe a vermelhidão das rosas ou o verde tenro das relvas antes de nascer o Sol! Foste tu, minha bem-amada, que me alumiaste o mundo. No teu amor recebi a minha iniciação. Agora entendo, agora sei. E, como o antigo iniciado, posso afirmar: "Também fui a Elêusis; pela larga estrada pendurei muita flor que não era verdadeira, diante de muito altar que não era divino; mas a Elêusis cheguei, em Elêusis penetrei - e vi e sentia, verdade!...»

...

A carta continua nas páginas 202 a 206 do livro A correspondência de Fradique Mendes, Edições Livros do Brasil.

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